segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Verbo esquisito (sinonímia aceita)

Dia 23 de dezembro, Globo News: "Câmera flagra moradores de rua sendo incendiados no ES". As imagens demonstravam que a desgraça está manutenida no país.

Incendiar pessoas se tornou prática. Basta lembrar o índio Galdino. Os agressores dele, neste momento, queimam churrasquinho - a influência política salva. A proteção, porém, pode ocorrer às avessas. Imagine um jovem que deve ao traficante. Queimá-lo: uma forma de pagar o descrédito?

Pneus queimando no asfalto. Bebedeira e direção se confundem. Por isso, auê quando se começou a severamente usar o bafômetro. Se pesa no bolso, o pessoal pensa um pouco. Mas só um pouquinho, já que a caipirinha evita "queimar a cara".

A polícia abriu fogo duvidosamente. Impunidade corre solta: o principal policial do caso João Roberto foi absolvido. Segundo o advogado do batalhão, Nélio Andrade, "Ele estava no estrito cumprimento do dever". Não se queimou, o homem da lei, com o pelotão.

Saudades de quando o "Fogo!" era de mentirinha, em filmes e desenhos. Saudoso comportamento correto que nunca presenciei. Às vezes, penso em parar de ler os periódicos; outras, não; de quando em vez, taco fogo nos jornais.

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Quatrocentos gramas de boa.vontade

Para o ano iminente, desejos. Tentar um carro novo ou, quem sabe, acumular mais aulas; investir na UFPR; viajar para o Nordeste com a namorada. Juntamente, a vontade de cozinhar.

A foto - dum molho preparado ontem. Não apareceram alfavaca e pimentas. Batata-palha caseira, pão fresquinho, maionese e farofa também não se vêem. Garanto, no entanto, que o cachorro-quente ficou saboroso. Tão maravilhoso quanto a expectativa acerca do novo ano.

Minha mãe: "Ele cozinha muito bem!". Suspeitas à parte, esforço-me. E, às vezes, lutar é o que falta para um ano bom. Não se olham os limites nem se arrisca uma ambição. Um cozinheiro descuidado; a panela queimada. Por que não um ingrediente novo, mais calor ou menos água gelada?

Dizem que é fácil "conquistar alguém pela boca". Uma vez que já tenho romance, tentativa de fisgar um 2009 bom: aperitivo, prato principal e sobremesa. Sono a menos, trabalho após estudo, prazer -a receita da congratulação pessoal e social.

Um ano novo é como um prato inovador: basta conscientemente prepará-lo e servi-lo com os devidos acompanhamentos.

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Balanço do finzinho

Finalmente, férias. Após a formatura dos meus alunos da oitava série, comemorei o descanso breve. Com o pé no sofá, veio alguma lembrança sobre o último mês. Trata-se do velho balanço de cada um.

Houve negatividades. Sexta, sábado, domingo e segunda longe da namorada; trabalho, trabalho. Antes, alguns amigos subiram de cargo e de ego - falta de flexibilidade e cegueira "produtiva". Ouvido entupido... Esses deslizes, contudo, em meio a maravilhas.

O peixe frito. Manjubinhas mergulhadas em suco de (dois) limões. Como tempero, coentro, cebola, sal e pimenta. Farinha de mandioca, gordura bem quente. Os peixinhos, perdoem o caráter mórbido, não decepcionaram.

Passeio a dois com a amada. Descobertas de lugares; redescoberta de sentimentos. Também, a aprovação máxima, dela, nas bancas do Design. Projeto perfeito comemorado com cerveja (ou suco de morango, pois a nova lei é severa). A paixão realmente não desagrada.

O Inter se tornou o único a conseguir todos os títulos coerentemente disponíveis. Alguns, inclusive, de forma invicta. E se o assunto é alcançar, vivas à minha amiga fisioterapeuta. Alguém para cuidar da minha tendinite. Remédios têm diversas faces.

No trabalho, algumas homenagens. Depoimentos no orkut ou e-mails em tom de agradecimento. Na citada formatura, trato especial por parte dos alunos (piadas, aplausos e titulações). O reconhecimento, muitas vezes, deixa o docente mais feliz.

Definitivamente, alegrias. Entre acidentes e amigos-secretos esquisitos, destinei mais parágrafos às passagens portentas. Fui fiel a um propósito produtivo, sem promessas! E tenho dito.

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Exercício contra-dissertativo

Em cima do muro. Quando li sobre a restrição à meia-entrada, reclamei. Ao reler, considerei quaisquer visões. Tendência no Brasil: dane-se o culto! No entanto, não custa quase-dissertar.

A Folha On-line noticiou que artistas acompanharam a votação no Senado. Nos olhos deles, um cifrão igualzinho ao de cinemas, teatros e estádios. Insana soa a idéia de que a meia-entrada continue de segunda a quinta (sob 40% do total de passes).

Contudo, o outro lado. Meu vizinho, 72, possui carteirinha de estudante. Pegando leve, incoerente - a idade já proporcionaria descontinho. Provei: má intenção; aproveitador; pilantragem. A meia-entrada se banalizou e o preço da cultura subiu. Com as restrições previstas no projeto da cota, nada impede a redução de 40% no valor do ingresso "normal".

A regeneração e a fiscalização da carteirinha da UNE seriam boas medidas. Todavia, retorno à neutralidade. Aprendi, com meus cds dos Engenheiros do Hawaii, que deixar mensagens em aberto se trata duma manobra-estímulo. Mas, apesar da (não)posição que assumi, não consigo deixar de instigar: pensemos primeiramente no lado cultural!

sábado, 22 de novembro de 2008

Normalidade

Existem códigos que regem a mesmice social. Um: todo romance me recorda que a média (anual) nacional de leitura é de 1,3 livro "per capita". E evitem-se os xingamentos aos brasileiros que não gostam de ler: todos iguais, todos iguais...

Nas conversas, amalgamam-se fofocas, xingamentos e intrigas. Quem assiste a aulas não se preocupa com o conhecimento: R$ 600,00 mensais, casa alugada e um Fusca 67 representam um ótimo futuro! No emprego, também não se demonstra o mínimo interesse por destacar-se, por bem cumprir as expectativas.

Traição e vingança crescem concretamente. Passarinhos verdes me alertam para a possibilidade de o amor não mais ter significado. Casais? Apenas na novela – e nela, toda a esperança. A paixão platônica transcendeu para robertomarinhônica. Pobres livros fechados...

Nos espaços públicos, notam-se esmolas que reciclam a vagabundagem. Graça e manutenção do preconceito. Jogam-se nas costas divinas as falhas múltiplas e a esperança de emprego; acorda-se meio-dia, sem a mínima intenção de suar. Rotina, rotina, rotina essa luta.

A mesmice humana - um moto-perpétuo social. O cidadão imita o vizinho até tornar-se alvo. Insaciável prazer de interpretar papéis que sequer permitem crítica: todos iguais, todos iguais... Uns mais iguais que os outros?

terça-feira, 14 de outubro de 2008

Um pensamento diferente

Não quero folgar no dia 15 de outubro; prefiro trabalhar. O que a priori soa falso, em análise encerra minha consideração sobre o labor.

Professor não recebe quaisquer valores. A família "empurra" o filho para o docente, mas reclama quando o jovem é advertido. Os colégios sentem-se no direito de pagar migalhas. Alguns diretores repassam aos lentes comandos esquisitos (Vender rifa em nome da Instituição?!). Bastantes alunos não aproveitam a sabedoria do mestre.

Mesmo assim, opto por lecionar no Dia dos Professores. Não me importo com a grana perdida que um dia a menos de trabalho significa. Tenciono, sim, desnudar o que a categoria obscurece: profissionais preguiçosos, por exemplo. Anseio, também, por recriar a imagem de uma classe trabalhadora.

Não nego a necessidade de um agrado. Contudo... Que tal, em vez de folga, presentes: livros, vales-qualquer-coisa, café da manhã, disco? Aumento de salário, curso a gosto, viagem?

Comentário social: "Ah, vão parar de novo? Como professor é vagabundo!". A lei 52.682 de 1963 impõe o dia 15 de outubro como a data "em que se enalteça a função do mestre na sociedade moderna, fazendo participar os alunos e as famílias". Não há menções a folgas! Penúria: nem o professor sabe por que não foi trabalhar.

Cada pausa representa outra mancha no corpo docente.

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

...que deveria ter sido postado no dia 27 de agosto.

A última conta? Há trezentos e sessenta e seis dias. E a data do aniversário assassina vários acontecimentos. Presentes, simples que sejam, apagam um bocado de dados do último ano. Exemplos.

Prendeu-se o traficante Juan Carlos Abadia. Julgaram-se - e condenaram-se - uns quarenta políticos ligados ao caso "Mensalão". Os líderes da Igreja Renascer, Estevam e Sonia Hernandes, receberam voz de prisão nos Estados Unidos. Salvatore Cacciola foi detido em Mônaco.

O Superior Tribunal eleitoral proibiu a "infedelidade partidária". Um qualquer padre e ex-interno da Febem se atritaram - suposta pedofilia. A Petrobrás descobriu novas fontes de petróleo. A "oposição" derrubou a eterna CPMF que a "situação" tencionava. Quadros de Picasso e Portinari sumiram; felizmente, reapareceram intactos.

Parte da polícia nacional se envolveu na morte de inocentes. O REUNI foi decretado, o que causou discussão social acerca do futuro das universidades públicas. Isabela, coitada, "caiu" da janela do seu apartamento. A corrida para decidir quem representaria o Partido Democrata nas eleições estadunidenses atingiu a comicidade.

Guga anunciou a aposentadoria em relação às quadras. Ricardinho deixou de ser o levantador oficial da seleção de vôlei. Marta novamente se sagrou a melhor boleira do mundo. Na China, esquisitas três medalhas de ouro tupiniquins. Houve escândalo entre famoso jogador e travestis. A seleção brasileira de futebol deixou de encantar.

Mas os presentes do aniversário continuam na mesa. Tamanha dispersão: não-freudianamente, esqueci-me de listar um monte de acontecimentos. Que Dalton Trevisan não leia este post: torço para que O maníaco do olho verde ganhe muitos prêmios.

sexta-feira, 25 de julho de 2008

Perfeição

O professor disserta sobre ponto difícil do programa.
Um aluno dorme,
Cansado das canseiras desta vida.
O professor vai sacudí-lo?
Vai repreendê-lo?
Não.
O rofessor baixa a voz,
Com medo de acordá-lo.

(Carlos Drummond de Andrade)

Profissão de risco. Além do trabalho ininterrupto, o perfeccionismo atormenta um professor comprometido. A aula termina; os alunos entenderam a matéria; o docente acha que pode superar-se.

Sem macetes ou comentários desnecessários. Português: variação lingüística, teoria da comunicação, gramática, interpretação de texto, literatura... Variações dum mesmo tema. E mesmo quando o discípulo diz "Prof., você me fez leitor!", certo vazio persiste...

Um amigo: "Cara, isso é responsabilidade, é bom! Uma aula toma muito tempo!". De fato, começa antes da sala. Em pré-vestibular, a preparação aumenta - pois além de ensinar, encara-se a sensibilidade onírica do discente. Então, frase engraçada para análise sintática, crônica do Luis Fernando Verissimo para interpretação, apostas "esquisitas". E que todos aprendam.

Perguntar "Entenderam?" e ouvir "Sim!" pertence ao grupo dos prazeres máximos. Exemplo: o aluno, aparentemente dorminhoco, resolve o exercício assim que solicitado. E o vazio, aos poucos, cede ao contentamento. A perfeição se manifesta em preocupações e risos.

sexta-feira, 18 de julho de 2008

Em busca da música perdida

O pessoal da horda NX Zero disse que toca "rock do bem", diferentemente de cabeludos que se batem em shows e escrevem porcarias. Agressividade gratuita acompanha incapacidade: os ruinzinhos atacam os bonzinhos, pois por si só conseguem um clipe na MTV.

As "minhas" bandas não agradam à geração deprimente. Comparar o rock dos anos 60, 70 e 80 com as bandas que hoje fazem a cabeça da moçada não condiz. Impressiona-me alguém que prefira CPM 22 ao Pink Floyd, ao KISS, aos Paralamas do Sucesso. Mas...

... Analisemos. No nome, as bandas ritualizam um pacto de (não)criatividade: colocam um amontoado de letras maiúsculas; depois, inventam um significado para elas - que possui menos sentido que a própria sigla. As citadas hordas procederam assim, semelhantes a SPC e KLB. Sobre as letras...

... "Aonde eu moro, aonde eu vou / Como tudo sempre muda ao redor do sol": a primeira palavra, de acordo com a maldita gramática, escreveu-se erradamente, pois para idéia estática o uso correto é onde e não aonde. No mais, esses chavões de "tudo muda ao redor do sol" continuam bregas: você, leitor, muda quando sob o sol? Fica verde igual ao Huck ou seus cabelos caem; sua casa começa a voar?...

... "Longos foram os dias que eu fiquei a te esperar / No fundo eu já sabia, que eu não iria te encontrar...": letra reveladora. Primeiro, a teórica rima pobre - a minha cadelinha consegue sonorizar dois verbos no infinitivo ("latir" com "dormir"). Segundo, a exposição retardada: se sabia que não encontraria a dita cuja, por que aumentar o predicativo "fracassado"?...

... "Eu vou agora / Eu vou com ou sem você / Eu vou embora / Não quero mais andar em círculos". Quase um perpetuum mobile , não? "Com Raça posso até vencer / nas curvas vou ultrapassar / no limite até o fim / cada segundo que ganhei / cada suor que derramei / podem levar ao primeiro lugar / da velocidade dos nossos corações / e no lugar mais alto / Levar o país inteiro / e cada vez mais alto / Vibrar por ser o primeiro": sério, cadê a coerência interna do verso "da velocidade de nossos corações"? Não consigo entender. Lamentável: a música se chama "Fórmula 1"...

Sim, as músicas "analisadas" pertencem ao NX Zero. Se é isso que eles chamam de "não falar besteira", (quase) desisto de pensar sobre "High Hopes" e "Wish you were here", "Rock and roll all nite" e "Forever"", "Aonde quer que eu vá" e "Lanterna dos afogados".

Dá-lhe Brasil: único país onde desgraças siglamatizadas duram mais que três meses.

domingo, 6 de julho de 2008

Nua e crua

Folha de São Paulo, caderno Cotidiano: "Homem mata amigo após traição da mulher em Santa Catarina"; "Dois morreram em tiroteio durante quermesse" (SP); "Policiais militares são suspeitos de matar jovens" (SP); "Dois são presos com 305kg de droga em meio a melões" (BA).

O Globo, coluna G1: "Menina de 6 anos morre atropelada por carro da polícia" (RJ); "Acidente fere trabalhadores rurais em SP"; "Festa em escola acaba com um morto e nove feridos no RS"; "Menina de nove meses é baleada em MG".

Zero Hora, capa: "Arma é roubada em ataque a posto rodoviário em Santa Cruz do Sul" (RS); "Jovem sofre tentativa de homicídio em Novo hamburgo" (RS); "Presos supostos líderes de quadrilha que aterrorizava cidades" (BR); "Polícia encontra quatro corpos em casebre na Capital" (RS).

O Estado do Paraná, seção Polícia: "Triplo homicídio na Cidade Industrial" (PR); "Jovem é morto dentro de casa no Cajuru" (PR); "Criança de dois anos é morta pelo padrasto" (PR); "Morre atropelado na BR-116 após cair da moto" (PR).

Todas publicadas em 06 de julho de 2008. Variação dum mesmo tema: violência múltipla. Na patética melhor cidade do Brasil, alguns dados alegram a bandidagem. Média de homicídio: em 2007, 1,6 morto por dia (ou 589 no ano); média de furto e roubo de carros: em 2007, 16,6 por dia (ou 6079 no ano); média de assalto a ônibus: em 2005, 8,72 por dia (ou 3181 no ano).

A isso, não se esforça combate. E a região central se revela tão ruim quanto os bairros. Ao lado da Reitoria da UFPR (representante máxima do turismo local), aumentei a primeira estatística que expus... Adianta tanta rua, tanto binário, se não existe segurança? Domingo, pelos parques, contam-se nas unhas os policiais que rondam os ambientes. Estradas, estacionamento público? Nem-um guardinha ao lado.

Crer ou não crer, eis a questão. Tanta liberdade descontrolada só gera perda de esperança.

quarta-feira, 25 de junho de 2008

Continuação do texto de outrem.

Os “sem-noção” do transporte coletivo (final)
(Fernando Martins)

Na semana passada, dediquei-me a escrever sobre os “sem-noção” do transporte coletivo de Curitiba – aqueles passageiros que não são propriamente mal-educados mas que costumam atrapalhar (e muito) os outros usuários sem se darem conta disso. Como essa peculiar fauna que habita nossos ônibus é muito extensa, a lista dos “sem-noção” continua hoje.

O papa-mosca: espécie que se alimenta de moscas. Fica dentro do ônibus caçando-as e, quando percebe, o veículo parou no ponto em que ele quer descer. Tomado de medo de não desembarcar, o papa-mosca resolve então empreender uma corrida de obstáculos para sair do ônibus. Obviamente, os obstáculos somos nós, os demais passageiros.

O caçador do banco perdido: espécime de “sem-noção” muito obstinado. Tem um objetivo e não desiste dele nunca: conquistar um banco para ir sentado no ônibus. O caçador costuma agir quando chega um ônibus vazio no terminal. A fila vai andando, as pessoas entram e o sujeito “sem-noção”, ao perceber que todos os assentos foram ocupados, resolve só pegar o ônibus seguinte. O problema é que ele pára em frente da porta da condução e se esquece que tem um monte de gente atrás querendo entrar. Mas o pior é quando o caçador entra no ônibus e, ao perceber que perdeu a disputa pelo último banquinho, resolve sair quando todo mundo está entrando. O tromba-tromba é inevitável.

O charada: é o mais enigmático dos “sem-noção”. Quando está em um ônibus cheio, sem razão aparente, resolve sair do lugar relativamente confortável em que está para ir a outro ponto do veículo apenas para satisfazer sua misteriosa vontade de mudança. Obviamente, para isso, vai incomodando todo mundo que está à frente. Mais enigmático ainda é quando ele está perto de uma porta de saída, cruza o ônibus inteiro para... descer pela outra porta. Nem Freud explica.

O fumacinha: é o fumante que se acha educado. Ele até se esforça. Como é proibido fumar dentro dos ônibus e das estações, ao esperar a condução ele só acende o cigarro fora... 30 centímetros fora do tubo. Obviamente, a fumaça vai toda para dentro.

O surdinho: sujeito com alta produção de cera de ouvido, a ponto de impedir que ele escute as insistentes mensagens sonoras sobre regras de embarque e desembarque veiculadas dentro do ônibus. O surdinho desce pela porta de embarque dos biarticulados e entra nos ligeirinhos antes que os demais passageiros desçam. Um cotonete ia bem.

sexta-feira, 20 de junho de 2008

Um texto de outrem.

Os “sem-noção” do transporte coletivo (Parte 1)
(Fernando Martins)

O Sindicato das Empresas de Ônibus de Curitiba lançou há um mês uma campanha para que os passageiros curitibanos sejam mais educados. Reportagem do domingo desta Gazeta do Povo mostrou que os resultados têm sido animadores: os usuários do sistema, aos poucos, estão mais corteses uns com os outros. Isso é animador. Quem sabe alguém não pense em ampliar o foco da campanha também para os “sem-noção” do transporte coletivo. Diferentemente dos sem-educação, que geralmente sabem o que estão fazendo, os “sem-noção” – como o próprio nome diz – simplesmente não têm idéia de que seu comportamento atrapalha os outros passageiros. Veja alguns dos principais espécimes de “sem-noção” que habitam nossos ônibus:

- O apaixonado pela porta 3: esse peculiar tipo de usuário nutre uma paixão platônica pela porta 3 dos biarticulados – aquela pela qual todos entram. Ao adentrar no ônibus, o apaixonado, em vez de procurar um lugar nas extremidades do veículo, pára na porta 3. Ela deve ser tão sedutora que atrai multidões de apaixonados, que se espremem só para ficar perto dela enquanto nos cantos do ônibus há espaço de sobra. Azar daqueles que querem entrar e não conseguem.

- O boneco de açúcar: esse ser é muito sensível. Dissolve-se ao menor contato com água. Quando começa a chover – mesmo a mais leve garoa – o boneco logo fecha as janelas do ônibus, transformando o coletivo em uma sauna. É um espécime especialmente nocivo na hora do rush e no verão.

- A tia da bolsa: essa simpática senhora sempre aparece quando você mais está com pressa. Vem vindo o ônibus, você está atrasado, corre para entrar no tubo e pegar a condução quando... aparece a tia da bolsa, bem à sua frente, para pagar o cobrador. O problema é que a tia é muito esquecida. Ela sempre se esquece de pegar o dinheiro da passagem antes de sair de casa. E resolve procurá-lo dentro de sua imensa bolsa enquanto o ônibus vem chegando e a fila vai aumentando. Ela tira da bolsa celular, batom... e o ônibus chegando. Ela tira lenço de papel, óculos escuros, escova de cabelo... mas nada do dinheiro. E o ônibus chegando. Por vezes ele passa e a tia ainda não achou o dinheiro.

- O touro-sentado: esse tipo é o cara-pálida que confunde degrau com banco e gosta de sentar na escada de descida do ônibus, atrapalhando a saída dos passageiros. Normalmente faz parte da tribo dos adolescentes. Só mesmo alguém com menos de 18 anos para se sentar no chão.

Na semana que vem, conheça outros espécimes dos “sem-noção” que circulam no transporte coletivo.

quinta-feira, 12 de junho de 2008

Namorar: verbo transitivo direto.

Pessoas mal-amadas costumam detestar o Dia dos namorados. Os argumentos projetam-se nos chavões "data capitalista" a "dia dos namorados é todo dia". Particularmente, prefiro encerrar a introdução para evitar xingamentos a esses tipos.

Paixão: importante. Nela, razão para um telefonema de madrugada ou para o gasto imoderado no restaurante. Gargalhadas sadias: do chocolate no dente; do tropeço no cachorro; do carro a álcool que teima em não funcionar...

Criou-se o dia para troca de presentes; não se negue a prática! Esquisito quem não sorri quando ganha a jaqueta almejada. Ao presenteado, a expectativa de receber o que implicitamente pediu; ao presenteador - será que o cd importado e o livro raro vão agradar? (Escusado escrever que jogo-de-panela e meia denotam péssimas escolhas para 12 de junho.)

Todo mundo deve namorar e dar presente. Os casais às bodas-de-ouro ainda namoram; as rosas, no processo do pólen, também; crianças se afeiçoam na bolacha recheada que trocam entre si - verbo mágico esse tal namorar! Até a vida, abstrata demais, namora as pessoas - menos as mal-amadas, que não entendem quando alguém diz "tô a fim de você" de forma subentendida.

quinta-feira, 22 de maio de 2008

Paixão adolescente

Enquanto crescemos, gostos chegam, passam e, às vezes, voltam. Há, também, os que simplesmente nunca se apagam - e eu tenho um desses.

Ontem, a turnê nova. Gessinger já comentou que"Novos Horizontes" possivelmente seja o último trabalho da banda. Logicamente, não perdi o concerto dos Engenheiros do Hawaii. O resultado, após R$ 123,00 de ingresso, não se resume à palavra maravilhoso. Fileira 04: rock-anos-80 em pleno século XXI!

Nada de empurra-empurra, cotoveladas, bêbados chatos. Quiçá, novo rabugento: perdi a paciência com aglomerações em casa (de show?) mal ventilada. No Teatro Positivo, encontrei acústica perfeita, um cenário encantador, espaço para pular. Ouvi e cantei seguramente, entre "O papa é pop" e "Ando só", "No meio de tudo você", "3ª do plural", "Faz de conta"... Old and new!

(HG: incomparável letrista; melodias pinkfloydianas; sintético; metafórico; novamente no baixo; dono indiscutível da banda; infelizmente, gremista.)

Algumas pessoas não esquecem namoradas passadas. Outras, algum jogo de futebol. A minha paixão cinge a banda gaúcha. Uma grande vantagem: minha namorada não sente ciúmes, não se importa: até apóia: paixão é diferente de amor.

quarta-feira, 14 de maio de 2008

O elemento o mais urbano possível!

Catalisador de gastrite, enxaqueca, crise de choro: estresse. Presente nas ruas, nos lares, nos seres. O mantra flui, mas forças irritantes insistem na quebra da paz. Tempos modernos.

A empresa de telefonia aliada ao provedor incompetente. Contas inexistentes, formato PABX, atendentes mal-educadas, promessas em gerúndio. O Procon não dispensa a esquisita relação entre burocracia gratuita e competência. Xerox pra cá, reconhecimento de firma pra lá; o cidadão? parado? muito brabo?

Família e trabalho misturados representam confusão. Discussões porque a filha leva amigos ao serviço; brigas porque o pai não concorda com o cálculo da mãe; chateações porque a tia quer meter-se na administração do negócio. Para completar, os observadores - que alvitram somente em momentos intempestivos.

A faculdade a seqüência estonteante de trabalhos O melhor sistema de transporte do Brasil As improfícuas formalizações laborais O serviço bancário Rinite Poça d'água O cachorro que escapuliu e não voltou O café esfriou A blusa molhada (ai que frio!) O computador que trava à hora de digitar Mais estesse... Estresse... Estresse...

Dos mínimos aos máximos, Hans Selye - se vivo - concluiria "My God!" para a irritação que ajudou a formalizar.