sábado, 27 de junho de 2009

2 x 0 no regulamentar; vitória nos pênaltis.

Brasileiro curte jogo que termina num 5 x 1. Impossível compreender lógica nesse pensamento! Não há chance de qualidade em placar assim.

Na goleada, apenas um time jogou bem. Só que futebol consiste em 22 jogadores - iniciais, pois em jogo emocionante ocorre pelo menos uma expulsão. 5 x 1 exprime ações pela metade, denota despreparo ou amadorismo da equipe desbaratada. E pior: sempre algum fiel afirma "Nem sempre quem joga melhor vence!": como assim?

Esse lance de futebol arte deve ser controlado. Pelo menos, repensado. Classificação louvável: em casa, 0 x 0; fora, 1 x 1. A marcação forte e a técnica exprimem jogo plausível. A falta na hora certa, o gol (de pênalti) aos 44min...

Mas o brasileiro não curte competitividade. Insiste em tolerar goleadas. E, além disso, prefere dois dribles bonitos e uma bola na trave a um gol chorado. O Romário que tinha razão: "Gol de bico é lindo, pois é gol". Algo assim. O torcedor de times brasileiros merece, às vezes, um carrinho na altura do joelho.

sábado, 13 de junho de 2009

12

O dia dos namorados cessou. Esquisitos não curtem a data. As desculpas, sempre as mesmas: "Pois o capitalismo isso...", "O interesse no presente aquilo...", "As flores da minha vida murcharam...". Pleonasmo intertextual insuportável.

Pergunto-me se quem odeia o dia dos namorados também detesta a própria data de aniversário. As aplicações são idênticas em ambos os casos. O presente entre próximos que brigaram pode reconciliar. A espera no restaurante possivelmente lembre a demora no sorvete de outrora.

Quem não aprecia o 12 de junho com certeza não senta à mesa dum bar. Na hora da cerveja, amigos discutem; mendigos aparecem e pedem dinheiro; músicas berradas; amigos discutem de novo; alguma promessa. Igual a no namoro: precisa de um dia específico, às vezes, para o empurrão final.

Que emoção ao escolher o presente certo! Por mais que toda semana gere uma lembrança, a expectativa de agradar, numa data especial, encanta. Xingar atendentes, comer rapidamente, calcular para poder gastar mais.

Amantes ou não, todos deveriam comemorar o Valentine's Day tupiniquim. Flores, bombons, algum kit exótico. Tudo vale. Só não vale ter de trabalhar nessa data tão linda, ainda mais quando ela cai numa sexta-feira. Mas isso já é assunto para outro post.

domingo, 10 de maio de 2009

Para sempre
[Carlos Drummond de Andrade]

Por que Deus permite
que as mães vão-se embora?
Mãe não tem limite,
é tempo sem hora,
luz que não apaga
quando sopra o vento
e chuva desaba,
veludo escondido
na pele enrugada,
água pura, ar puro,
puro pensamento.

Morrer acontece
com o que é breve e passa
sem deixar vestígio.
Mãe, na sua graça,
é eternidade.
Por que Deus se lembra
- mistério profundo -
de tirá-la um dia?
Fosse eu Rei do Mundo,
baixava uma lei:
Mãe não morre nunca,
mãe ficará sempre
junto de seu filho
e ele, velho embora,
será pequenino
feito grão de milho.

Quem quiser ouvir o próprio Drummond declamando esse poema, acesse http://www.memoriaviva.com.br/drummond/poema039.htm e curta!

sábado, 14 de março de 2009

Caracterizando substantivos

Processo complicado, das relações, é adjetivar. Em várias situações, a sincera palavra caracterizadora recebe indiferença, desrespeito. Irritado, feliz, bonita, estatal... Palavras que podem ser ambiguamente interpretadas.

O pedreiro, na obra: "Oh, gostooosa". A mulher, obviamente, não credita olhar de aprovação. As que confiam no elogio acabam tachadas sexual-negativamente. Sensatez - pois, machismo por diversão. Que a postura continue repressiva.

Filhos, pais... Estes, sem muita vontade; aqueles, a geração da baderna. Herdeiros alienados ao estudo, inconformados com tudo que têm, desinteressados em relação à sociedade que até tenta abraçá-los. Pai e mãe, trabalhando, culpados: o msn em vez da conversa familiar.

A política nacional continua pífia. O povo, desatento. Os votos permanecem errados e os eleitos convivem felizes. Castelo obscuro, empresa falsa, fazenda fantasma... Os pensadores da nação, poucos, sofrem - não mais pelas pessoas, sim devido à indiferença.

A cerveja não se tornou gelada. A repreensão a comentários se alastra. Imposição de ajetivos desmotivantes a qual desgraça uma noite. Em casa, um blog atualizado com um texto diferente. Parece disco do Nenhum de Nós: "Histórias reais, seres imaginários".

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Verbo esquisito (sinonímia aceita)

Dia 23 de dezembro, Globo News: "Câmera flagra moradores de rua sendo incendiados no ES". As imagens demonstravam que a desgraça está manutenida no país.

Incendiar pessoas se tornou prática. Basta lembrar o índio Galdino. Os agressores dele, neste momento, queimam churrasquinho - a influência política salva. A proteção, porém, pode ocorrer às avessas. Imagine um jovem que deve ao traficante. Queimá-lo: uma forma de pagar o descrédito?

Pneus queimando no asfalto. Bebedeira e direção se confundem. Por isso, auê quando se começou a severamente usar o bafômetro. Se pesa no bolso, o pessoal pensa um pouco. Mas só um pouquinho, já que a caipirinha evita "queimar a cara".

A polícia abriu fogo duvidosamente. Impunidade corre solta: o principal policial do caso João Roberto foi absolvido. Segundo o advogado do batalhão, Nélio Andrade, "Ele estava no estrito cumprimento do dever". Não se queimou, o homem da lei, com o pelotão.

Saudades de quando o "Fogo!" era de mentirinha, em filmes e desenhos. Saudoso comportamento correto que nunca presenciei. Às vezes, penso em parar de ler os periódicos; outras, não; de quando em vez, taco fogo nos jornais.

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Quatrocentos gramas de boa.vontade

Para o ano iminente, desejos. Tentar um carro novo ou, quem sabe, acumular mais aulas; investir na UFPR; viajar para o Nordeste com a namorada. Juntamente, a vontade de cozinhar.

A foto - dum molho preparado ontem. Não apareceram alfavaca e pimentas. Batata-palha caseira, pão fresquinho, maionese e farofa também não se vêem. Garanto, no entanto, que o cachorro-quente ficou saboroso. Tão maravilhoso quanto a expectativa acerca do novo ano.

Minha mãe: "Ele cozinha muito bem!". Suspeitas à parte, esforço-me. E, às vezes, lutar é o que falta para um ano bom. Não se olham os limites nem se arrisca uma ambição. Um cozinheiro descuidado; a panela queimada. Por que não um ingrediente novo, mais calor ou menos água gelada?

Dizem que é fácil "conquistar alguém pela boca". Uma vez que já tenho romance, tentativa de fisgar um 2009 bom: aperitivo, prato principal e sobremesa. Sono a menos, trabalho após estudo, prazer -a receita da congratulação pessoal e social.

Um ano novo é como um prato inovador: basta conscientemente prepará-lo e servi-lo com os devidos acompanhamentos.

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Balanço do finzinho

Finalmente, férias. Após a formatura dos meus alunos da oitava série, comemorei o descanso breve. Com o pé no sofá, veio alguma lembrança sobre o último mês. Trata-se do velho balanço de cada um.

Houve negatividades. Sexta, sábado, domingo e segunda longe da namorada; trabalho, trabalho. Antes, alguns amigos subiram de cargo e de ego - falta de flexibilidade e cegueira "produtiva". Ouvido entupido... Esses deslizes, contudo, em meio a maravilhas.

O peixe frito. Manjubinhas mergulhadas em suco de (dois) limões. Como tempero, coentro, cebola, sal e pimenta. Farinha de mandioca, gordura bem quente. Os peixinhos, perdoem o caráter mórbido, não decepcionaram.

Passeio a dois com a amada. Descobertas de lugares; redescoberta de sentimentos. Também, a aprovação máxima, dela, nas bancas do Design. Projeto perfeito comemorado com cerveja (ou suco de morango, pois a nova lei é severa). A paixão realmente não desagrada.

O Inter se tornou o único a conseguir todos os títulos coerentemente disponíveis. Alguns, inclusive, de forma invicta. E se o assunto é alcançar, vivas à minha amiga fisioterapeuta. Alguém para cuidar da minha tendinite. Remédios têm diversas faces.

No trabalho, algumas homenagens. Depoimentos no orkut ou e-mails em tom de agradecimento. Na citada formatura, trato especial por parte dos alunos (piadas, aplausos e titulações). O reconhecimento, muitas vezes, deixa o docente mais feliz.

Definitivamente, alegrias. Entre acidentes e amigos-secretos esquisitos, destinei mais parágrafos às passagens portentas. Fui fiel a um propósito produtivo, sem promessas! E tenho dito.

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Exercício contra-dissertativo

Em cima do muro. Quando li sobre a restrição à meia-entrada, reclamei. Ao reler, considerei quaisquer visões. Tendência no Brasil: dane-se o culto! No entanto, não custa quase-dissertar.

A Folha On-line noticiou que artistas acompanharam a votação no Senado. Nos olhos deles, um cifrão igualzinho ao de cinemas, teatros e estádios. Insana soa a idéia de que a meia-entrada continue de segunda a quinta (sob 40% do total de passes).

Contudo, o outro lado. Meu vizinho, 72, possui carteirinha de estudante. Pegando leve, incoerente - a idade já proporcionaria descontinho. Provei: má intenção; aproveitador; pilantragem. A meia-entrada se banalizou e o preço da cultura subiu. Com as restrições previstas no projeto da cota, nada impede a redução de 40% no valor do ingresso "normal".

A regeneração e a fiscalização da carteirinha da UNE seriam boas medidas. Todavia, retorno à neutralidade. Aprendi, com meus cds dos Engenheiros do Hawaii, que deixar mensagens em aberto se trata duma manobra-estímulo. Mas, apesar da (não)posição que assumi, não consigo deixar de instigar: pensemos primeiramente no lado cultural!

sábado, 22 de novembro de 2008

Normalidade

Existem códigos que regem a mesmice social. Um: todo romance me recorda que a média (anual) nacional de leitura é de 1,3 livro "per capita". E evitem-se os xingamentos aos brasileiros que não gostam de ler: todos iguais, todos iguais...

Nas conversas, amalgamam-se fofocas, xingamentos e intrigas. Quem assiste a aulas não se preocupa com o conhecimento: R$ 600,00 mensais, casa alugada e um Fusca 67 representam um ótimo futuro! No emprego, também não se demonstra o mínimo interesse por destacar-se, por bem cumprir as expectativas.

Traição e vingança crescem concretamente. Passarinhos verdes me alertam para a possibilidade de o amor não mais ter significado. Casais? Apenas na novela – e nela, toda a esperança. A paixão platônica transcendeu para robertomarinhônica. Pobres livros fechados...

Nos espaços públicos, notam-se esmolas que reciclam a vagabundagem. Graça e manutenção do preconceito. Jogam-se nas costas divinas as falhas múltiplas e a esperança de emprego; acorda-se meio-dia, sem a mínima intenção de suar. Rotina, rotina, rotina essa luta.

A mesmice humana - um moto-perpétuo social. O cidadão imita o vizinho até tornar-se alvo. Insaciável prazer de interpretar papéis que sequer permitem crítica: todos iguais, todos iguais... Uns mais iguais que os outros?

terça-feira, 14 de outubro de 2008

Um pensamento diferente

Não quero folgar no dia 15 de outubro; prefiro trabalhar. O que a priori soa falso, em análise encerra minha consideração sobre o labor.

Professor não recebe quaisquer valores. A família "empurra" o filho para o docente, mas reclama quando o jovem é advertido. Os colégios sentem-se no direito de pagar migalhas. Alguns diretores repassam aos lentes comandos esquisitos (Vender rifa em nome da Instituição?!). Bastantes alunos não aproveitam a sabedoria do mestre.

Mesmo assim, opto por lecionar no Dia dos Professores. Não me importo com a grana perdida que um dia a menos de trabalho significa. Tenciono, sim, desnudar o que a categoria obscurece: profissionais preguiçosos, por exemplo. Anseio, também, por recriar a imagem de uma classe trabalhadora.

Não nego a necessidade de um agrado. Contudo... Que tal, em vez de folga, presentes: livros, vales-qualquer-coisa, café da manhã, disco? Aumento de salário, curso a gosto, viagem?

Comentário social: "Ah, vão parar de novo? Como professor é vagabundo!". A lei 52.682 de 1963 impõe o dia 15 de outubro como a data "em que se enalteça a função do mestre na sociedade moderna, fazendo participar os alunos e as famílias". Não há menções a folgas! Penúria: nem o professor sabe por que não foi trabalhar.

Cada pausa representa outra mancha no corpo docente.

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

...que deveria ter sido postado no dia 27 de agosto.

A última conta? Há trezentos e sessenta e seis dias. E a data do aniversário assassina vários acontecimentos. Presentes, simples que sejam, apagam um bocado de dados do último ano. Exemplos.

Prendeu-se o traficante Juan Carlos Abadia. Julgaram-se - e condenaram-se - uns quarenta políticos ligados ao caso "Mensalão". Os líderes da Igreja Renascer, Estevam e Sonia Hernandes, receberam voz de prisão nos Estados Unidos. Salvatore Cacciola foi detido em Mônaco.

O Superior Tribunal eleitoral proibiu a "infedelidade partidária". Um qualquer padre e ex-interno da Febem se atritaram - suposta pedofilia. A Petrobrás descobriu novas fontes de petróleo. A "oposição" derrubou a eterna CPMF que a "situação" tencionava. Quadros de Picasso e Portinari sumiram; felizmente, reapareceram intactos.

Parte da polícia nacional se envolveu na morte de inocentes. O REUNI foi decretado, o que causou discussão social acerca do futuro das universidades públicas. Isabela, coitada, "caiu" da janela do seu apartamento. A corrida para decidir quem representaria o Partido Democrata nas eleições estadunidenses atingiu a comicidade.

Guga anunciou a aposentadoria em relação às quadras. Ricardinho deixou de ser o levantador oficial da seleção de vôlei. Marta novamente se sagrou a melhor boleira do mundo. Na China, esquisitas três medalhas de ouro tupiniquins. Houve escândalo entre famoso jogador e travestis. A seleção brasileira de futebol deixou de encantar.

Mas os presentes do aniversário continuam na mesa. Tamanha dispersão: não-freudianamente, esqueci-me de listar um monte de acontecimentos. Que Dalton Trevisan não leia este post: torço para que O maníaco do olho verde ganhe muitos prêmios.

sexta-feira, 25 de julho de 2008

Perfeição

O professor disserta sobre ponto difícil do programa.
Um aluno dorme,
Cansado das canseiras desta vida.
O professor vai sacudí-lo?
Vai repreendê-lo?
Não.
O rofessor baixa a voz,
Com medo de acordá-lo.

(Carlos Drummond de Andrade)

Profissão de risco. Além do trabalho ininterrupto, o perfeccionismo atormenta um professor comprometido. A aula termina; os alunos entenderam a matéria; o docente acha que pode superar-se.

Sem macetes ou comentários desnecessários. Português: variação lingüística, teoria da comunicação, gramática, interpretação de texto, literatura... Variações dum mesmo tema. E mesmo quando o discípulo diz "Prof., você me fez leitor!", certo vazio persiste...

Um amigo: "Cara, isso é responsabilidade, é bom! Uma aula toma muito tempo!". De fato, começa antes da sala. Em pré-vestibular, a preparação aumenta - pois além de ensinar, encara-se a sensibilidade onírica do discente. Então, frase engraçada para análise sintática, crônica do Luis Fernando Verissimo para interpretação, apostas "esquisitas". E que todos aprendam.

Perguntar "Entenderam?" e ouvir "Sim!" pertence ao grupo dos prazeres máximos. Exemplo: o aluno, aparentemente dorminhoco, resolve o exercício assim que solicitado. E o vazio, aos poucos, cede ao contentamento. A perfeição se manifesta em preocupações e risos.

sexta-feira, 18 de julho de 2008

Em busca da música perdida

O pessoal da horda NX Zero disse que toca "rock do bem", diferentemente de cabeludos que se batem em shows e escrevem porcarias. Agressividade gratuita acompanha incapacidade: os ruinzinhos atacam os bonzinhos, pois por si só conseguem um clipe na MTV.

As "minhas" bandas não agradam à geração deprimente. Comparar o rock dos anos 60, 70 e 80 com as bandas que hoje fazem a cabeça da moçada não condiz. Impressiona-me alguém que prefira CPM 22 ao Pink Floyd, ao KISS, aos Paralamas do Sucesso. Mas...

... Analisemos. No nome, as bandas ritualizam um pacto de (não)criatividade: colocam um amontoado de letras maiúsculas; depois, inventam um significado para elas - que possui menos sentido que a própria sigla. As citadas hordas procederam assim, semelhantes a SPC e KLB. Sobre as letras...

... "Aonde eu moro, aonde eu vou / Como tudo sempre muda ao redor do sol": a primeira palavra, de acordo com a maldita gramática, escreveu-se erradamente, pois para idéia estática o uso correto é onde e não aonde. No mais, esses chavões de "tudo muda ao redor do sol" continuam bregas: você, leitor, muda quando sob o sol? Fica verde igual ao Huck ou seus cabelos caem; sua casa começa a voar?...

... "Longos foram os dias que eu fiquei a te esperar / No fundo eu já sabia, que eu não iria te encontrar...": letra reveladora. Primeiro, a teórica rima pobre - a minha cadelinha consegue sonorizar dois verbos no infinitivo ("latir" com "dormir"). Segundo, a exposição retardada: se sabia que não encontraria a dita cuja, por que aumentar o predicativo "fracassado"?...

... "Eu vou agora / Eu vou com ou sem você / Eu vou embora / Não quero mais andar em círculos". Quase um perpetuum mobile , não? "Com Raça posso até vencer / nas curvas vou ultrapassar / no limite até o fim / cada segundo que ganhei / cada suor que derramei / podem levar ao primeiro lugar / da velocidade dos nossos corações / e no lugar mais alto / Levar o país inteiro / e cada vez mais alto / Vibrar por ser o primeiro": sério, cadê a coerência interna do verso "da velocidade de nossos corações"? Não consigo entender. Lamentável: a música se chama "Fórmula 1"...

Sim, as músicas "analisadas" pertencem ao NX Zero. Se é isso que eles chamam de "não falar besteira", (quase) desisto de pensar sobre "High Hopes" e "Wish you were here", "Rock and roll all nite" e "Forever"", "Aonde quer que eu vá" e "Lanterna dos afogados".

Dá-lhe Brasil: único país onde desgraças siglamatizadas duram mais que três meses.

domingo, 6 de julho de 2008

Nua e crua

Folha de São Paulo, caderno Cotidiano: "Homem mata amigo após traição da mulher em Santa Catarina"; "Dois morreram em tiroteio durante quermesse" (SP); "Policiais militares são suspeitos de matar jovens" (SP); "Dois são presos com 305kg de droga em meio a melões" (BA).

O Globo, coluna G1: "Menina de 6 anos morre atropelada por carro da polícia" (RJ); "Acidente fere trabalhadores rurais em SP"; "Festa em escola acaba com um morto e nove feridos no RS"; "Menina de nove meses é baleada em MG".

Zero Hora, capa: "Arma é roubada em ataque a posto rodoviário em Santa Cruz do Sul" (RS); "Jovem sofre tentativa de homicídio em Novo hamburgo" (RS); "Presos supostos líderes de quadrilha que aterrorizava cidades" (BR); "Polícia encontra quatro corpos em casebre na Capital" (RS).

O Estado do Paraná, seção Polícia: "Triplo homicídio na Cidade Industrial" (PR); "Jovem é morto dentro de casa no Cajuru" (PR); "Criança de dois anos é morta pelo padrasto" (PR); "Morre atropelado na BR-116 após cair da moto" (PR).

Todas publicadas em 06 de julho de 2008. Variação dum mesmo tema: violência múltipla. Na patética melhor cidade do Brasil, alguns dados alegram a bandidagem. Média de homicídio: em 2007, 1,6 morto por dia (ou 589 no ano); média de furto e roubo de carros: em 2007, 16,6 por dia (ou 6079 no ano); média de assalto a ônibus: em 2005, 8,72 por dia (ou 3181 no ano).

A isso, não se esforça combate. E a região central se revela tão ruim quanto os bairros. Ao lado da Reitoria da UFPR (representante máxima do turismo local), aumentei a primeira estatística que expus... Adianta tanta rua, tanto binário, se não existe segurança? Domingo, pelos parques, contam-se nas unhas os policiais que rondam os ambientes. Estradas, estacionamento público? Nem-um guardinha ao lado.

Crer ou não crer, eis a questão. Tanta liberdade descontrolada só gera perda de esperança.

quarta-feira, 25 de junho de 2008

Continuação do texto de outrem.

Os “sem-noção” do transporte coletivo (final)
(Fernando Martins)

Na semana passada, dediquei-me a escrever sobre os “sem-noção” do transporte coletivo de Curitiba – aqueles passageiros que não são propriamente mal-educados mas que costumam atrapalhar (e muito) os outros usuários sem se darem conta disso. Como essa peculiar fauna que habita nossos ônibus é muito extensa, a lista dos “sem-noção” continua hoje.

O papa-mosca: espécie que se alimenta de moscas. Fica dentro do ônibus caçando-as e, quando percebe, o veículo parou no ponto em que ele quer descer. Tomado de medo de não desembarcar, o papa-mosca resolve então empreender uma corrida de obstáculos para sair do ônibus. Obviamente, os obstáculos somos nós, os demais passageiros.

O caçador do banco perdido: espécime de “sem-noção” muito obstinado. Tem um objetivo e não desiste dele nunca: conquistar um banco para ir sentado no ônibus. O caçador costuma agir quando chega um ônibus vazio no terminal. A fila vai andando, as pessoas entram e o sujeito “sem-noção”, ao perceber que todos os assentos foram ocupados, resolve só pegar o ônibus seguinte. O problema é que ele pára em frente da porta da condução e se esquece que tem um monte de gente atrás querendo entrar. Mas o pior é quando o caçador entra no ônibus e, ao perceber que perdeu a disputa pelo último banquinho, resolve sair quando todo mundo está entrando. O tromba-tromba é inevitável.

O charada: é o mais enigmático dos “sem-noção”. Quando está em um ônibus cheio, sem razão aparente, resolve sair do lugar relativamente confortável em que está para ir a outro ponto do veículo apenas para satisfazer sua misteriosa vontade de mudança. Obviamente, para isso, vai incomodando todo mundo que está à frente. Mais enigmático ainda é quando ele está perto de uma porta de saída, cruza o ônibus inteiro para... descer pela outra porta. Nem Freud explica.

O fumacinha: é o fumante que se acha educado. Ele até se esforça. Como é proibido fumar dentro dos ônibus e das estações, ao esperar a condução ele só acende o cigarro fora... 30 centímetros fora do tubo. Obviamente, a fumaça vai toda para dentro.

O surdinho: sujeito com alta produção de cera de ouvido, a ponto de impedir que ele escute as insistentes mensagens sonoras sobre regras de embarque e desembarque veiculadas dentro do ônibus. O surdinho desce pela porta de embarque dos biarticulados e entra nos ligeirinhos antes que os demais passageiros desçam. Um cotonete ia bem.