domingo, 21 de outubro de 2007

Drops de Deus

Credo! Muito acontecimento para poucos dias. Morte, título, Nobel, corrida presidencial russa; expectativas. E ainda leio absurdos como "Eita, vida parada!". Possibilidades: desocupação ou o que chamo de alienação (des)intelectual. Piora quando a conjunção alternativa é trocada pela aditiva.

Paulo Autran, o mito do teatro nacional, faleceu. Levou consigo a trajetória do gênero. O homem das faces literárias, com máscaras de Shakespeare (Rei Lear), de Shaw (Pigmalião), de Molière (O avarento), de Sartre (Mortos Sem Sepultura), representou inclusive a realidade: fingiu a dor que deveras sentia. Declamava que fumava numa interpretação gratuita de uma campanha não-divulgada: o hábito que derruba 85 anos. Obteve reconhecimento (mas não do Presidente Lula, que, assim como FHC procedeu quando da morte de João Cabral de Melo Neto, não foi ao enterro do astro). Magistralmente, suas principais datas se confundem com a História: nasceu no primeiro centenário da Independência do Brasil (mesmo ano da Semana de Arte Moderna); morreu no dia da padroeira nacional.

Tenho uns 500MB de poesias que ele recitou: qualidade sonora e dramática! 90 peças, 11 filmes, 9 participações televisivas e uma aparição na festa de Natal do Palácio Avenida. Parcerias? A mais bela ocorreu numa amizade - Maria Antonieta Portocarrero Thedim.

Com uma perda assim, mencionar que a próxima disputa presidencial na Rússia será entre Putin e Gasparov é secundário. No mesmo nível, mantêm-se o título do Kimi Räikkönen, o Nobel da Doris Lessing, o afastamento por cansaço que Renan Calheiros solicitou e recebeu. Fatores importantes mas, exceto a vitória do homem-de-gelo, questionáveis em seus graus: o campeão do xadrez pode ser paciente demais no governo; a inglesa foi laureada por causa de meia dúzia de asneiras espaciais ou feministas (sim, ela não soube juntar os dois temas) que produziu em seus 88 anos; o presidente do Senado marcou mais um ponto na disputa com a nação: Renan 2 X -2 Brasil.

Imortais não choram. Ensinam, ao contrário, que se deve quebrar o agito que muitos negam ter. Terêncio: "homo sum: humani nihil a me alienum puto". De fato, não podemos desconsiderar nenhum detalhe dos humanos ao nosso redor. Mas os da morte pesam mais, ah!, como pesam... Ainda mais se for a morte de gente boa. Como disse o cantor predileto, "quando se anda em círculos, nunca se é bastante rápido". Metonímia: um pouco de cada assunto já serve para separarmos o que vale a pena, o que tem solução - e quem marcou corações.

Extra:
- Link para um video-tributo a Paulo Autran: http://www.youtube.com/watch?v=b5P1mdn5V8E;
- Link para baixar o cd Quatro séculos de poesia, coletânea de poemas nacionais declamados por Paulo Autran: http://d.turboupload.com/d/1214638/4secPA.rar.html.


quinta-feira, 11 de outubro de 2007

Superação da futilidade pseudonímica ou a presença heteronímica

Ode marcial
[Álvaro de Campos (Fernando Pessoa)]

Inúmero rio sem água — só gente e coisa,
Pavorosamente sem água!


Soam tambores longínquos no meu ouvido
E eu não sei se vejo o rio se ouço os tambores,
Como se não pudesse ouvir e ver ao mesmo tempo


Helahoho! Helahoho!

A máquina de costura da pobre viúva morta à baioneta...
Ela cosia à tarde indeterminadamente...
A mesa onde jogavam os velhos,


Tudo misturado, tudo misturado com os corpos, com sangues,
Tudo um só rio, uma só onda, um só arrastado horror


Helahoho! Helahoho!

Desenterrei o comboio de lata da criança calcado no meio da estrada,
E chorei como todas as mães do mundo sobre o horror da vida.
Os meus pés panteístas tropeçaram na máquina de costura da viúva que mataram à baioneta

E esse pobre instrumento de paz meteu uma lança no meu coração

Sim, fui eu o culpado de tudo, fui eu o soldado todos eles
Que matou, violou, queimou e quebrou,
Fui eu e a minha vergonha e o meu remorso com uma sombra disforme
Passeiam por todo o mundo como Ashavero,
Mas atrás dos meus passos soam passos do tamanho do infinito.


E um pavor físico de encontrar Deus faz-me fechar os olhos de repente.
Cristo absurdo da expiação de todos os crimes e de todas as violências,
A minha cruz está dentro de mim, hirta, a escaldar, a quebrar
E tudo dói na minha alma extensa como um Universo.


Arranquei o pobre brinquedo das mãos da criança e batil-lhe.
Os seus olhos assustados do meu filho que talvez terei e que matarão também
Pediram-me sem saber como toda a piedade por todos.


Do quarto da velha arranquei o retrato do filho e rasguei-o,
Ela, cheia de medo, chorou e não fez nada...
Senti de repente que ela era minha mãe e pela espinha abaixo passou me o sopro de Deus.


Quebrei a máquina de costura da viúva pobre.
Ela chorava a um canto sem pensar na máquina de costura.
Haverá outro mundo onde eu tenha que ter uma filha que enviúve e a quem aconteça isto?


Mandei, capitão, fuzilar os camponeses trêmulos,
Deixei violar as filhas de todos os pais atados a árvores,
Agora vi que foi dentro de meu coração que tudo isto se passou,
E tudo escalda e sufoca e eu não me posso mexer sem que tudo seja o mesmo
Deus tenha piedade de mim que a não tive a ninguém!


O maior poeta modernista. Fernando Pessoa não precisou de poemas com vinte páginas para fixar-se. Melhor: produziu-se sob heterônimos (72, segundo Teresa Rita Lopes), através dos quais variou sobre a mesma arte - e polemizou. Um deles - autor do poema acima, que com Ricardo Reis e Alberto Caeiro forma a principal tríade das vidas extras do autor português - atrapalhou o único namoro que Pessoa teve. Entendeu? A ficção destruiu a realidade. Isso é profundidade (sempre poética) que hipnotiza teorias, estudiosos e leitores. Ferdinand Personne era um obscuro.

Não sofria de problemas mentais. A consciência dos heterônimos (nunca pseudônimos) gerou-lhe muitas reflexões. Pessoa declarou "Muitos deles exprimem idéias que não aceito, sentimentos que nunca tive." acerca dos outros eus. Excesso de histérico talento. E de trabalho. O Guardador de rebanhos (Alberto Caeiro) foi escrito numa só noite, em 1914. Nesse mesmo ano, o Reis e o de Campos entraram na brincadeira literária. Sobrou até pra mulherada: as sensações de Maria José. Entretanto(s), pensemos sobre os três principais.

Alberto Caeiro se tornou o mestre dos outros dois. Em amplo sentido. Sua obra O Guardador de rebanhos traz a filosofia de Nietzsche aplicada à antipoesia. O poeta camponês apostou no sensacionismo como percepção literária. Não acreditava na alma. Interpretou a manifestação lingüística como parcial empecilho à reprodução da sinestesia: pregou a quebra da linguagem puramente mimética. A palavra passou a entrar na engrenagem da produção, porque tem influência direta no "por trás" do material real. Questionou, também, a eficácia cristã. Morreu vítima de tuberculose.

Álvaro de Campos, talvez o mais feio dos três por causa do óculos defeituoso que usava, também se voltou ao sensacionismo. Negou o material para penetrar naquilo que se sente ao enxergar o concreto. Mas, se para Caeiro a sensação era suficiente, de Campos buscou a semântica secundária que o sentir provoca. Os signos lingüísticos novamente estavam em alta - deveriam servir de ferramenta na busca incansável da interpretação dos sentidos. Isso explica a constante presença, por exemplo, de onomatopéias em suas poesias. Mais moderno que os outros; mais experimental. O poema que abre o post traz um estilo clássico - ode fúnebre - submetido a tendências modernistas - versos exclamativos e brancos, métrica deslocada, diversidade temática. Figurou principalmente entre os Futuristas.

Ricardo Reis, o médico que não tratou de Pessoa (trocadilho), é importante para nós: em determinado momento, viveu em terras tupiniquins. Foi um assíduo seguidor das formas clássicas, talvez pela forte leitura que realizou de obras latinas. Inclusive, a tentativa de Horácio (mascaração do sofrimento) aparece em sua produção. Foi o que mais "se distanciou" do lente Caeiro, principalmente no que diz respeito à palavra: esta deveria representar diretamente a natureza, o homem, o mundo.

Mas... E o ortônimo? Fernando Pessoa, só pelos "outros", já se tornou imortal. Mas criou obras precisas e definitivas com a assinatura própria. "O poeta é um fingidor / finge tão completamente / que chega a fingir que é dor / a dor que deveras sente". Sentiu, como poucos, a necessidade de expressar-se em várias vozes (singulares entre si). Tranformou em literatura o desvio de linhagem que carregava. Fingiu acreditar em diferentes possibilidades e deu vida às manifestações diversas que muitos não têm coragem de exprimir. Fantasiava-se no real e no imaginário (Chuva Oblíqua, assinado como próprio, apresentou poemas de Alberto Caeiro; num encontro marcado com José Régio, misteriosamente quem apareceu no lugar de Pessoa foi Álvaro de Campos). Na produção, destacou-se o sebastianismo; a busca pelo herói, pelo patriotismo histórico; aproximação a Camões; influência do orientalismo, do cristianismo gnóstico, do teosofismo, do racionalismo, da maçonaria.

Tratou da vida como um todo. Por ser incapaz de, sozinho, dar conta de todo o histórico humano, figurou(-se) nos hetenônimos. Escavou duplamente a realização literária. Buscou o tudo. Realizou o tudo. Mas não se sabe ler a mágica impossível que existe nos versos pessoanianos. Concordo com Harold Bloom (certa raridade, que explicarei num futuro não muito distante): o mais influente poeta do século XX. Que Drummond, Tom Jobim, Dulce Pontes comprovem a habilidade de ser vários. "I know not what tomorrow will bring...". Pessoa também escreveu em inglês (e muitos).

Obs.: eu tenho um cd com poesias do Fernando Pessoa declamas. Quem quiser ouvir - avise!

domingo, 23 de setembro de 2007

Descoberta, tédio não

Ouvi discos. De encontro à opinião de pseudointelectuais, ainda se produz decência musical (nacional). Pouco material, de fato, mas essa restrição é coerente com nosso momento: Renan permanece no Congresso; o PAC apanha de litígios; a seleção feminina de futebol joga melhor que a masculina; a Globo, o Edir Macedo.

Um retrospecto. O perído entre 1958 e 1963 e a década de 80 encerram as duas principais manifestações musicais da nossa história. Não se trata de descaso, por exemplo, ao Tropicalismo ou ao samba inaugural do início do século XX (deste, aliás, gosto bastante). Quando se pensa em música, a completa qualidade de letra, melodia, inovação não-parcial e elevação mundial é o modo de preparo do bolo. E somente a bossa-nova e o rock da década exposta é que conseguiram todos os atributos de uma só vez.

A tríade Vinicius, Tom e João produziu completo sucesso. Esse trabalho elevou a bossa brasileira à (chega de) saudade. Aquele com a letra; esse com a reestruturação da harmonia brasileira; este com a batida seca no violão, com o canto suave. "A felicidade", composição lançada em 59, registrou nesse mesmo ano 24 regravações; trilhou o premiado "Orfeu do Carnaval", filme de Marcel Camus. "Garota de Ipanema", iniciada em disco em 1963, tornou-se o expoente musical nacional: segunda música mais regravada da história (do mundo). No mesmo ano de divulgação, conseguiu uma versão em inglês, "The girl from Ipanema" (Tom Jobim a tocou ao lado de Frank Sinatra, no Carnegie Hall). Inúmeros artistas estrangeiros - entre eles Louis Armstrong, Nancy Wilson, Peggy Lee, Stephane Grappelli - renderam-se aos encantos da menina bronzeada, da moça que carrega, em meio à multidão, a cadência que hipnotiza a voz poética. Interessante, ainda, é perceber a intertextualidade literária que a música sugere: o spleen moderno e a nova composição apresentados por Baudelaire; o obscuro To be or not to be(...).

O rock dos anos 80 trouxe a caoticidade temática à nossa música. Falava-se de amor, de violência, de política, de futebol, de praia (em certos casos, tudo de uma vez só). Nomes como Cazuza e Renato Russo despontaram como heróis da geração Coca-Cola que buscava uma ideologia. Todavia, essa devoção exacerbada ofuscou bandas mais brilhantes - e nesse ponto chego aos Engenheiros do Hawaii. Em Curitiba, há alguns dias, o novo cd deles - "Novos Horiozontes".

A banda mais odiada. A sociedade braseileira não reconheceu (e ainda não reconhece) a profundidade gessingeriana. Com a média de 1,8 livro/ano, normal que poucos ouvintes entendam (e reflitam sobre) as referências a Sartre, Huxley, Nitzsche, Platão, Camus, Drummond, Hesse, Orwell, Sclyar, Santo Agostinho, Goethe, Mallarmé criadas nas letras que a banda apresentou. Na sonoridade, composições que remontam à MPB e ao progressivo inglês setentista introduziram um avanço importante na pauta nacional. Objetivo: criação de um estilo rebelde que fugisse da santíssima trindade "sexo drogas rock and roll".

O novo cd mantém a proposta de mudança. "Eu não consigo odiar ninguém" é música cujo verso foi composto no ideal de Gandhi: o líder indiano afirmou-se "incapaz de odiar qualquer ser vivo". Através desse lema, o mahatma conseguiu a independência da Índia. Será que não serve, para o Brasil, uma resistência pacífica? "No meio de tudo, você" acrescenta amor ao desespero. Amar (restrito, agora) representa novamente a possibilidade positiva da sociedade que acha lindo trabalhar excessivamente; que elege políticos pela "capacidade" lingüística que têm; que se contenta com Coca-cola e com a mídia impositiva. "Guantánamo": me tira daqui / não adianta gritar / me ajuda a fugir / ninguém vai escutar / não agüento mais: eu não tenho a resposta. Nome de música que remete à prisão que os Estados Unidos mantêm no sudete de Cuba. Nos livros, consta que os norte-americanos praticam, lá, atos que violam o Tratado de Genebra. Interação com História(s): desespero perante a crise, sem drogas para aliviar a tensão, sem canções que serenam (mas sempre a esperança de alguém atrás da porta). Ainda, um comentário sobre "Quebra-cabeça": a canção, ao mesmo tempo que trata de uma relação amorosa, pode ser interpretada como metamusical: o refrão é pouco, mas é tudo que eu posso oferecer / é quase nada mas é tudo que eu tenho a oferecer talvez signifique um eu que se desculpa por não conseguir ter respostas claras, soluções precisas pras desgraças expostas. Ele reconhece que tentou e que essa tentativa não cura os enfermos existenciais (sem distorções). Mesmo assim, oferece este mínimo como reflexão: a música, o cd, a obra da banda - novos horizontes pensantes. Variações de um mesmo tema pois, na real, o que importa é muito pouco.

A prisão: sociedade. As torturas: Renan, PAC, seleção, Globo, Edir. Talvez, a resistência pacífica não vingasse no Brasil porque o povo é pacífico até demais. Tudo bem que o sistema aliena mas... Até que ponto as pessoas não se reflexivamente alienam? Acreditam em pseudointelectuais e, por isso, continuam ouvindo seu guarda eu não sou vagabundo. Vagabundo não é bem a tachação... Ainda há salvação musical. Sim: basta aceitar a qualidade e não render-se a bundas com celulite. Alguns temas são recorrentes, alguns não.

sábado, 8 de setembro de 2007

Ausência de heróis

Há três dias, no ônibus, ouvi "Nossa, minha gerente é uma mala. Ela vem corrigir quando a gente faz coisa errada. A do outro setor agüenta tudo sozinha.". Confesso que fiquei preocupado com a recepão que a ética recebe.

Eu não estava "bicando" o papo. Lia meu volume numa página precisa. Contudo, os decibels (Sistema Internacional de Física) da conversa não me permitiram concentração. A partir de então, percebi que as concepções de trabalho e diversão se misturaram completamente. A pessoa legal é a que tolera erros e prejudica uma empresa. Já a chata é a que traz ensinamento. Pensando bem, a lástima não se restringe a questões trabalhistas.

Desde pequena, a sociedade se acostuma com estereótipos desviados. O melhor aluno não é o que estuda pra prova; é o que tira nota boa colando e, a ssim, não "perde" tempo nos livros. O homem exemplar não é o que trabalha todo santo dia pra, no fim de semana, ter uma graninha que possibilite levar a família ao parque ou tomar sua cerveja sexta-feira à noite; exemplo de capacidade é o traficante que, sem suar a camisa, tem grana de sobra e comanda (por imponência) meio mundo.

Uma explicação pode encontrar-se na música. Quando se trata de samba de morro, a referência é a mesma que o livro "Memórias de um sargento de milícias" (do romântico Manuel Antonio de Almeida) produz: o malandro que, sem ferir o próximo, sobrevive. Ouça-se "E com muito da façanha / Sempre um perde e outro ganha / Um dos dois parou de versejar". Noel Rosa trouxe a disputa para o verso. A literatura, a lisonja, a esperteza sadia em ação conjunta. Quando o infeliz se prende a meia-dúzia de ritmos desgraçados, qual a tendência? Prostituição, drogas, alienação. Sem tocar na quantidade de cornos... O bom rock and roll, a boa bossa nova, as músicas de exaltação nativista (Ah!, Grande Teixeirinha!) perdem espaço para o espírito maloqueiro (que consegue transformar 90% da sociedade em decepção nacional). "Vai me enterrar na areia? / Não, não, vou atolar" deveria denotar enterro fúnebre. De quem canta, de quem ouve. A aberração, o orgulho sem motivo, a criminalidade em ação conjunta.

Não é de estranhar o cerol na mão das moças que reclamavam da disciplina no trabalho. Também não estranho que, com o histórico analisado, esse povo medíocre apresente cinco filhos com educação precária; três maridos passados (dois deles simultâneos); um cd do Babado Novo ao lado de uma cópia fuleira de "A última seia"; o dilema "Deus preparou isso pra mim". Conclusão: a inteligência não aparece na lista de (a)tributos; biologicamente, a burrice não tem limites.

domingo, 19 de agosto de 2007

Amor, preocupação, carinho...

Minha namorada está gripada. Todo mundo assim o fica (alguns, como eu, com uma constância assustadora). Mas por mais simples que seja o problema de saúde, os que endeusam a pessoa "fraca" se mostram muito preocupados. Trata-se do amor: em qualquer nível, decente ou platônico.

Li as entrevistas que a Clarice Lispector realizou quando trabalhou como jornalista para, por exemplo, a revista Fatos & Fotos: Gente. As perguntas fogem à neutralidade jornalística; penetram, muitas vezes, no existencialismo típico da escritora. Indagações rápidas como É bom estar apaixonada? provocaram muita reflexão a vários dos entrevistados - e as respostas extrapolaram algumas linhas. Dentre as 44 personalidades, as questões realizadas a Nelson Rodrigues e a Vinicius de Moraes me encantaram mais. Um dia escrevo sobre aquela; esta me interessa ao post.

Uma resposta de Vinicius me causou náuseas. É claro, mas eu ainda acho que o amor que constrói para a eternidade é o amor paixão, o mais precário, o mais perigoso, certamente o mais doloroso. Esse amor é o único que tem a dimensão do infinito. Amor doloroso é um conceito transcendente. É o típico amor de namorado que ouve as tosses da namorada. Do homem que leva a mulher para jantar num dia frio. Do marido que bate o carro no caminho da maternidade. Isso é transcendência em terra. E dolorosa. Nada de espiritualismo por enquanto. Apenas concretização de uma promessa e dor física.

A semântica de amor só aparece na preocupação. Um eu te amo se ouve com freqüência pelos bares, ruas, shoppings, motéis. Mas... Quantos são sinceros? No momento sofrível, o desdobramento cuidadoso denota, sim, carinho. Sacrificar alguma hora a mais de beijinhos que não têm fim. Tomar um chá horrível junto com a, no meu caso, gripadinha. Expor-se ao mal gripal da companheira (e isso pra mim soa tão assustador...). Tudo isso é ternura pura, tão pura quanto a que Vinicius demonstra, na entrevista comentada, pela mão da Clarice...

Sei que muita gente já escreveu sobre gripe, amor, amor e gripe. Posso citar alguns casos. Contudo, lembro que já foi escrito algo como todo texto é inédito, seja qual for o tema (batido). Brega? Sei não. Amo. E isso me faz crescer – e me prevenir.

terça-feira, 31 de julho de 2007

Três poemas.

A une passante
[Charles Baudelaire]

La rue assourdissante autour de moi hurlait.
Longue, mince, en grand deuil, douleur majestueuse,
Une femme passa, d'une main fastueuse
Soulevant, balançant le feston et l'ourlet;

Agile et noble, avec sa jambe de statue.
Moi, je buvais, crispé comme un extravagant,
Dans son oeil, ciel livide où germe l'ouragan,
La douceur qui fascine et le plaisir qui tue.

Un éclair... puis la nuit ! - Fugitive beauté
Dont le regard m'a fait soudainement renaître,
Ne te verrai-je plus que dans l'éternité ?

Ailleurs, bien loin d'ici! trop tard! jamais peut-être!
Car j'ignore où tu fuis, tu ne sais où je vais,
Ô toi que j'eusse aimée, ô toi qui le savais !


A uma passante
[tradução de Ivan Junqueira]

A rua em torno era um frenético alarido.
Toda de luto, alta e sutil, dor majestosa,
Uma mulher passou, com sua mão suntuosa
Erguendo e sacudindo a barra do vestido.

Pernas de estátua, era-lhe a imagem nobre e fina.
Qual bizarro basbaque, afoito eu lhe bebia
No olhar, céu lívido onde aflora a ventania,
A doçura que envolve e o prazer que assassina.

Que luz... e a noite após! – Efêmera beldade
Cujos olhos me fazem nascer outra vez,
Não mais hei de te ver senão na eternidade?

Longe daqui! tarde demais! "nunca" talvez!
Pois de ti já me fui, de mim tu já fugiste,
Tu que eu teria amado, ó tu que bem o viste!


A uma passante (de roupa)
[versão de Mozer Anjos]

Na pilha em torno, apenas roupas do marido.
Escravizada, só, cantando lamentosa,
A mulher engoma – sem ar de desastrosa –
Camisas, ternos, gravatas do referido.

Varizes, mãos calejadas, sina cretina.
E o senhor da casa (no sofá, aprecia
Cerveja) ameaça, reclama, desafia
A triste passadeira cuj’alma é divina.

Que vida!... Dias mordazes!... E a liberdade
Sonhada não chega, não vem... Assim, em vez
Dela as amigas demonstram felicidades.

A mulher passa e repassa por todo o mês!
Às conversas com colegas, porta-se triste:
- Elas têm o melhor ferro-de-passar qu’existe...

quarta-feira, 25 de julho de 2007

Nem toda queda é real

Difícil de acreditar: Marco Aurélio Garcia - assessor especial da presidência - nega que comemorou, frente às câmeras, uma possível falha mecânica no avião da TAM o qual provocou o maior acidente aéreo da história do Brasil. A próxima atitude dele, então, será assumir sua paixão pelo Tabajara Clube de Futebol. Primeira conclusão: duas mentiras. Segunda conclusão: não ocorre uma preocupação sincera com a situação no céu do país.



O vôo 3054 não foi um caso isolado. Em Congonhas, só esse ano, houve quatro deslizes na pista decadente. Vários pilotos têm declarado um sintético medo de pousar, em dias de chuva, no aeroporto da Zona Sul de São Paulo. Alguns, inclusive, combinaram não descer enquanto não acontecerem melhorias. O grooving, se é que existe, está precário. As rotas nacionais, em geral, possuem buracos negros em todo o percurso. A modernização dos aeroportos não acontece porque o órgão responsável - a Infraero - desvia a atenção (dos investimentos) para sabe lá Deus onde. A ANAC possui um presidente, Sr. Milton Zuanazzi, que se preocupa com receber medalhas desmerecidas e tenta empurrar argumentos falhos nas explicações acerca dos problemas da aviação civil.



Engana-se quem pensa que a apuração sobre as causas do acidente está acelerada. O mesmo equívoco se percebe em textos que afirmam que os governantes estão preocupados com o bem-estar da população. E erra, também, o leitor que crê na imediata reformulação da organização aérea do Brasil. Com o exemplo do primeiro parágrafo, claro está que o grande desafio dos excelentíssimos é desviar a atenção do público com relação à deficiência da aviação brasileira. O presidente da República não toma atitudes. Faz alguns dias que leio as mesmas frases: Lula consola as famílias dos mortos; Lula afirma que haverá solução; Lula pede para que ninguém se alarme. Palavras bonitas que, inclusive, meu vizinho e eu poderíamos declarar publicamente. Mas e as reais atitudes? Onde está a cura para essa doença que contamina o setor aéreo?



O chefe máximo não está sozinho. Infelizmente. E para nossa “alegria”, todo mundo continua na mesma lengalenga. Demitiu-se o Waldir Pires. Chamou-se o Nelson Jobim e, a este, foi dada a carta branca para qualquer mudança que ele deseje operar. Ora! A primeira medida deve criar uma ética política nesse Brasil (que canta mas não é feliz...). Outro que caiu foi o J. Carlos Pereira, até então presidente da Infraero (aquela que desvia até pensamento). Oposição e governo concordam que a hora do brigadeiro chegou. Ele se conscientizou disso quando disse “Estou pronto para sair”. Lamento que as mudanças, visíveis e necessárias há muitos anos, só hajam ocorrido após um (negativo) saldo de aproximadamente 200 mortes. Contudo, pensemos: vai melhorar alguma coisa com o troca-troca?



Permutar figurinhas repetidas não resolve o buraco dos álbuns. Com o perdão da morbidez, político ruim só sai de cena quando morre. Enquanto não, trabalhadores sofrem em todos os patamares com um problema que resulta de erros consecutivos e históricos. O sistema aéreo nacional atingiu o ápice da desqualificação: ou moderniza ou as carroças voltam. Segundo reportagem televisiva, há quem gaste R$ 1.100,00, em táxi, para evitar o avião. Bom pra quem tem grana; pior pra quem passa três dias mofando num pátio de aeroporto (... as carroças...). Santos Dumont teria outro motivo para suicidar-se caso presenciasse a atual baderna. Quem cai nunca é o homem público que ri da desgraça alheia. É o cidadão de bem.


terça-feira, 17 de julho de 2007

Um pouco de torcida, muito de mídia: pérfidas

Os atletas brasileiros tornam-se Atlas. Levam o Pan nas costas pois, do governo, só recebem aperto de mão (e alguns apertos indiretos...). Mas com relação às vaias e aplausos ou à gritaria e silêncio (da torcida, claro), isso realmente é muito pessoal.

Alguns competidores, como os da natação, deixaram claro que o agito os ajuda. As meninas da ginástica não curtiram o barulho. No tênis, o silêncio é imprescindível. Enquanto que o futebol tem como décimo segundo jogador a torcida fervente. Inviável é, claro, sair perguntando "Amigo atleta: silêncio ou baderna?". Mas com um pouco de bom senso a gente consegue perceber quais modalidades permitem uma extrapolação de ânimos.

Em minha pessoalidade, detesto o lance de vaias. Quando a gente acompanha a seleção, o Brasil torna verde-e-amarelo todos os países por que passa. Em 70, no México, por exemplo, dos 107.000 torcedores que acompanharam a final da Copa do Mundo, apenas uma meia dúzia vibrou pela Itália; os mexicanos adotaram a seleção canarinho! Por que, então, a gente hostiliza tanto os atletas estrangeiros (a lutadora de taekwondoo mexicana, por exemplo)? Por quê? Em 1994, nos Estados Unidos, novamente a Itália sofreu com o apoio "torcedoral" ao Brasil. Detalhe: não foram vaias que abalaram os jogadores italianos. Treze anos depois, os atletas estadunidenses, em vez de harmonia, só faltam receber bananas na cabeça.

(Às vezes, um "Brazil!" bem gritado - e no momento certo - ajuda bem mais que um monte de bicos em "u".)

Mas ainda há um outro agravante: a televisão. Hoje, quando li na Folha de São Paulo que a emissora do Marinho-Kane perdeu 30% de audiência (de 2006 pra cá), fiquei momentaneamente contente. Depois, entristeci: no fim das contas, uma outra rede vai continuar com a poluição midiocrática... O ideal é uma revolução no jornalismo brasileiro. Os canais não se preocupam com a instrução do povo. Simplesmente, incentivam vaias e gritarias desnecessárias. Inclusive, não ignoro quem ache que o espírito do Roberto manipula o povo que está nas arquibancadas! Porque, pela televisão não há dúvidas da virtuosidade que proporciona.

Pra encerrar, chamou-me a atenção (além dos episódios descritos) o Oscar, hoje, como líder dos baderneiros. Que falar disso? Após ver um ídolo esportivo aos gritos de "Vai cair, Chile, vai cair... uuu...", normal que a platéia "anônima", já iludida pela Globo, siga os passos do (ex)basqueteiro. De doer também. Os atletas Atlas muitas vezes não se mantêm nesse posto.

sexta-feira, 13 de julho de 2007

Um futebol (e o esporte) contraditório

Eu lamento pela (não)educação do povo brasileiro. Ao desprezarmos argentinos, essa atitude só poder relacionar-se com futebol. Quanto à instrução, superam-nos em anos-luz. A média de leitura de cada povo já sugere uma conclusão triste: para o 1,8 livro anual do brasileiro, los hermanos lêem 6,5. O número de livrarias de Buenos Aires é maior que a quantidade de livrarias de todo o Brasil. Ou seja: derrota tupiniquim.

Vaiar não melhora nada. Se a vaia ocorrer fora de contexto, além de não ajudar, subseqüentemente cria uma imagem muito terrível. Custa ser inteligente? Custa buscar informação? No meio de uma manifestação esportiva, em que várias delegações se misturavam em clima social, num evento em que o Bush e Chavez nos pouparam de suas desastrosas presenças - o que significa (senão burrice) assobiar e pensar "nossa, estamos protestando"?

Desgraçadas, também, foram as manifestações anti-Pan. Nessas aglomerações, os assuntos giravam em torno de "Bush no Iraque" e da "ressurreição de Zapata". Tais assuntos interferem, diretamente, no Brasil? Como se não bastasse o momento errado, os ideais também o são. Primeiro: se nós nos voltarmos a nossas invasões endógenas (morais, físicas e espirituais), então ocasionaremos progresso. Segundo: precisamos de um herói nacional (o México é um pouco longe). Não vejo uma santa alma com intuitos verdadeiros na frente do Planalto. Mas quando há um evento interessante, que traz certa alegria para o povo e denota a superação de atletas brasileiros - que treinam sem incentivo federal - espectadores iniciam uma vaia que será estampada no mundo inteiro: "O Pan dos sem educação". Francamente.

Há quem apóie a vulgar atitude. Afirmam: "Baixa moral do presidente". Que desinformados! E se ele presta (ou não) para o Brasil, o melhor lugar para analises é uma urna (não um estádio). A grande inversão: na arquibancada acham que refletem; nas eleições, que se alegram. Sensações alteradas em horas erradas. Mas a educação sempre no mesmo nível: zero.

quarta-feira, 16 de maio de 2007

Resolução dos Exercícios e dos Testes da Aula 03 - Extensivo.

A partir de agora, nem todas as respostas serão derramadas. Haverá luz, porém, para todos os enunciados.

Exercícios:

* 01) A resposta correta precisa conter os três lugares em que o narrador enxerga a mulher madura - uma sala de espera; uma rua de comércio paralelo; uma joalheria.

* 02)
* a)
A mulher madura é contida, nunca se expõe sem real necessidade. Ela não se permite ser explorada física ou moralmente pelos olhares alheios.
* b) A mulher madura envelhece com serenidade e naturalidade semelhantes às de um peixe n'água; ela transforma o tempo no seu verdadeiro habitat.
* c) Há referência a dois brilhos: primeiro, aos filhos que ela traz ao mundo; depois, ao sorriso que os herdeiros provocam no rosto da mulher.

* 03) Vocês precisam escrever os seguintes aspectos: físicos; sociais; tratamento, postura e conduta familiar; psicológicos; educacionais. Não havia necessidade de justificá-los. Porém, para treino de análise, fica a dica: aprofundem!

* 04, 05) O texto é um discurso dissertativo! Não há uma voz voltada para si mesma nem um diálogo claro com uma 2ª pessoa. Também, o narrador se preocupa em defender sua perspectiva de a mulher madura ser superior a todas as outras fases femininas de vida.

Obs.: dentro das divisões da dissertação, o texto de Sant' Anna é classificado como subjetivo (em 1ª pessoa).

* 06) Reparem: a resposta é um texto em que os aspectos citados na questão 03 figuram tanto para o lado da mulher madura quanto para o da mulher jovem. Ou seja: quem não justificou antes, aqui terá de argumentar na marra! E não se esqueçam de valorizar a fase correta...

* 07) Os parágrafos em que o autor trata da mulher madura casada são o antepenúltimo e o penúltimo. Essa é a primeira parte das respostas! Na segunda parte, englobem os aspectos: responsabilidade superior à do homem; atenção para com os filhos; a lógica feminina; a influência do tempo sobre a mulher madura casada.

Obs.: a interpretação do texto permite concluir que a mulher madura, por toda a sua postura e sua experiência de vida, só terá filhos quando casada. Por isso se inclui o antepenúltimo parágrafo na resposta desse exercício.

* 08) Escrevam que a maturidade vem, para a mulher pobre, de forma precoce e que essa antecipação causa melancolia (e os afluentes desta).

* 09) A mulher madura não se enxerga como tal através das percepções que possui. Ela precisa de um elemento externo para perceber as suas próprias beleza e inteligência maduras - o que denota sinal de humildade.

* 10) Porque ela já passou, no seu habitat tempo, por todos os estágios de aprendizagem sobre relacionamentos. Assim, ela pode concentrar-se em algo digno e único, de acordo com tudo o que viveu.

* 11) Vocabulário da questão:
1 luminoso: que dá luz própria; brilhante; diáfano; lúcido; perspicaz; que compreende facilmente; belo, formoso. 2 sereia: mulher de canto suavíssimo; mulher bela e sedutora.

Desmetaforizem as expressões em um texto o qual ligue a mulher madura às definições acima.

* 12) Aqui, basta vocês redigirem uma dissertação (em 1ª pessoa) sobre o tema proposto. Não se esqueçam de argumentar com dados concretos. Evitem locuções viciosas e lugares-comuns. Coletem infomações no próprio texto para demonstrar que vocês perceberam a ligação da questão com o dirscurso de Sant' Anna.

Testes:

* 01) Somatória correta: 56 (08, 16, 32). Na 01, a colocação incorreta da palavra "sua" não permite saber se a bola pertence a Raul ou ao treinador. A 02 apresenta uma ambigüidado quando não se sabe se André ou Paulo (por causa da locução "que ele") passou no concurso; esta mesma dúvida ocorre na 04.

* 02) Soma correta: 44 (04, 08, 16). A primeira frase da 01 traz uma ação, em 3ª pessoa, em torno de um substantivo; a segunda, além de em 1ª pessoa, apresenta-se acerca de um outro verbo. Na 02, a primeira sentença se constitui de um sujeito oculto em 1ª pessoa que realiza a ação de colaborar; na segunda, a colaboração parte "do professor" (adjunto adnominal). Referente à alternativa 04, concluímos que, na primeira frase, "precisas" funciona como adjetivo; na segunda, "precisa" torna-se verbo conjugado em 3ª pessoa.

* 03) Sempre que uma palavra é omitida por já ter sido escrita na frase - temos um caso de zeugma. Portanto, a resposta é letra a. Repare que mesmo com a omissão, a palavra poupada permenece perfeitamente (sub)entendida.

Demais figuras que o exercício apresenta:
b Assíndeto: figura de estilo que resulta da supressão dos elementos conectivos entre palavras ou frases.
c Elipse: omissão de uma ou mais palavras que se subentendem (pelo contexto).
d Hipérbato: figura de estilo que consiste na transposição ou inversão da ordem natural das palavras ou das orações.
e Pleonasmo: redundância; circunlóquio; superfluidade.

* 04) Silepse é uma concordância com idéias subentendidas na frase; essas, ao mesmo tempo, não fazem parte da estrutura sintática da frase. No exemplo citado, a silepse é de pessoa. Reparem que a frase preparou-se para uma 3ª pessoa do plural mas recebe um verbo conjugado na 1ª pessoa (do plural). A resposta é a letra d.

Obs.: Silepse de gênero ocorre quando se troca masculino por feminino e vice-versa; de número, em trocas de singular por plural.

* 05) Cassiano Ricardo (autor do trecho) encontra a cor verde como um elemento comum a soldados e cafezais. Como não há conectivos, tem-se uma metáfora - letra c. Relembre:
a Metonímia: em termos gerais, ocorre quando uma parte representa um todo.
b Catacrese: desvio/nome que ocorre/se dá a objetos por assimilação ou desconhecimento do nome correto.
d Comapração: confronto, com conectivos, de características comuns a objetos, a pessoas.
e Onomatopéia: reprodução de sons não-humanos.

* 06) Resposta: alternativa e. Mais:
b Antítese: aproximação de idéias ou palavras antônimas entre si.
c Paródia: apropriação da estrutura original de um texto (já existente) para a criação de uma mensagem.
d Alegoria: ficção que representa uma semântica para dar a idéia de outra (exemplo: fábulas).

* 07) A alternativa a, sinestesia, é a resposta do exercício.

Obs.: sintagma é um conjunto de elementos que se complementam para formar uma unidade com significância. Sozinhos, esses elementos não apresentam a estrutura mínima para a formação de uma frase.

* 08) No enunciado, houve um erro de digitação. Não era "geração" mas, novamente, "gradação". De qualquer forma, a resposta que interessa é a e. Note que em todas as outras frases, as ações realizadas são complementares ente si e seguem uma seqüência lógica e enumerável (uma somente existe após a outra). Na alternativa em evidência, as ações não dependem uma da outra para acontecer, para formar uma seqüência.


segunda-feira, 30 de abril de 2007

Resolução dos Exercícios e dos Testes da Aula 02 - Extensivo.

Vocabulário:

1 Aramaico - indivíduo dos Aramaicos; tribos semíticas, que habitavam as regiões das embocaduras do Tigre e Eufrates; grupo de línguas semitas faladas nessas regiões; relativo aos Aramaicos; arameano.
2 Nórdico - do norte; designativo dos povos do Norte da Europa, da sua língua e literatura; norreno; natural ou habitante de país nórdico.
3 Atávico - produzido por atavismo (Reaparecimento, no ser animal ou vegetal, de características só existentes em ascendentes relativamente afastados; semelhança com os avós.).
4 Nômades - errante; vagabundo; que não tem habitação fixa; (no pl.) povos que mudam de região de acordo com as estações do ano, ou em função das necessidades de alimentação (caça, pastagens, etc.).
5 Ameba - amiba; protozoário unicelular aquático, que muda constantemente a sua forma através da emissão de pseudópodes, visível a olho nu e semelhante a um pequeno ponto branco opaco.
6 Paleolítico - primeiro período da era quaternária e da Pré-História, durante o qual apareceram os primeiros homens que trabalhavam a pedra (razão por que também é conhecido por Idade da Pedra Lascada); relativo ou pertencente a este período (como adjetivo, grafa-se com inicial minúscula).
7 Troglodita - membro de qualquer tribo pré-histórica, ou de um povo africano que vivia em cavernas ou construía moradas subterrâneas; pessoa que vive em habitação subterrânea; cavernícola; gênero de quadrúmanos como o chimpanzé; nome de certos pássaros dentirrostros, a que pertence a carriça; que vive em cavernas.
8 Irrefutáveis - que se não pode refutar; evidente; irrecusável.
9 Desígnios - intento; plano; intenção; propósito; destino.
10 Asfixiado - causar asfixia a; sufocar; abafar.

* a) O sentido mais adequado ao texto está em itálico nas definições acima.

* b)
1 - "com tempo, fez um homem mais bem-acabado, que se chamou de Mulher, que é 'melhor' nas línguas de tribos semistas."
2 - "Alguns povos do Norte da Europa cultivam o mito da Grande Ursa Olga,..."
3 - "cedendo a um incontrolável impulso explicado pela semelhança com o mito afastado,..."
4 - "Em certas tribos sem habitação fixa do Meio Oriente..."
5 - "que começou com o primeiro protozoário aquático unicelular..."
6 - "...o primeiro encontro entre os dois se deu na Idade da Pedra Lascada,..."
7 - "o homem ainda seria o mesmo tribal pré-histórico desleixado..."
8 - "para poder estudá-la mais de perto e julgo ter colecionado provas evidentes..."
9 - "Estão sempre combinando maneiras novas de impedir que se descubra que são alienígenas e têm propósitos próprios para nossa terra."
10 - "...eu for encontrado morto com sinais de ter sido carinhosamente sufocado,..."

Exercícios:

* 01) O texto metaforiza sete lendas sobre a criação da mulher. A primeira gira em torno da criação bíblica, segundo a qual a primeira figura feminina (Eva) veio de uma costela do primeiro homem (Adão). A segunda é uma figuração da teoria Adão versus Lilith (ambos criados do barro). Cita-se a mitologia grega (Zeus como criador da primeira mulher, Pandora); a natureza nórdica para a representante do sexo feminino; A quinta lenda apresentada é das tribos nômades do Oriente Médio. Posterior, aparecem a lenda do Extremo Oriente (as mulheres mulheres provêm diretamente do céu) e a hipótese de algumas regiões do Ocidente (a mulher como produto e serviço).

Obs.: notem que especifiquei, dentro da resposta, algumas das lendas. Esse procedimento não era obrigatoriamente necessário. O importante era citar de forma prática as sete teorias apresentadas nos dois primeiros parágrafos do texto. E perceba que o início "Todas essas lendas", do terceiro parágrafo, confirma que tudo que havia antes deveria ser considerado como lenda.

* 02) O texto pode ser classificado como jornalístico, humorístico e descritivo. A taxação de científico não cabe pois não há vocabulário técnico voltado a explicações (e a estudiosos) dentro de uma determinada área de pesquisa acadêmica. Dissertativo é equivocado porque não há preocupação em defender um ponto de vista através de uma argumentação acerca de uma opinião embasada.

* 03) As características dos três textos são, basicamente, as mesmas: objetividade, vocabulário abrangente mas preciso, referências externas, linearidade. O que difere é o fato de o jornalístico ter a possibilidade da iconografia e da tipografia; o humorístico causa subversão com sátiras e ambigüidades; o descritivo desenvolve detalhamentos.

Obs.: o exercício 03 pede a teorização do 02. Expressam-se algumas características mas não há a necessidade de discorrer sobre elas: o enunciado não solicita.

* 04) A mulher é posta o tempo todo como superior ao homem, sempre idealizada. Isso se confirma com afirmações como "fez um homem mais bem-acabado, que se chamou de Mulher"; com justificações da espécie de "cedendo a um incontrolável impulso atávico, nem que seja só para experimentar, na loja, e depois quase desmaiar com o preço" (note-se que o autor teoriza - através da ligação com a Ursa Olga - o porquê de a mulher gostar de peles); "é ridículo pensar que as mulheres também descendem de macacos" e a tese segundo a qual elas vêm de outro planeta pois são mais desenvolvidas que nós reafirmam a idealização do sexo-feminino.

* 05) No período destacado está implícita a Teoria do Evolucionismo, de Charles Darwin.

* 06) A resposta é muito pessoal. Não há um modelo específico a ser digitado. Contudo, cabe frisar que a sua opinião deve ser defendida com argumentos sólidos, embasados em dados, fatos e histórias (verdadeiras) do conhecimento geral.

Minha respota seria algo como "O autor acerta ao afirmar que os homens têm preconceitos com atitudes, das mulheres, que imitam o cotidiano masculino. Recentemente, um telejornal reportou uma moça que trabalha como coveira. A quantidade de homens contrários a ocupação dela ou que emitem piadinhas como 'desse jeito até quero morrer' é incrível - o que comprova a restrição masculina quanto à igualdade entre homem e mulher.".

* 07) Segundo o texto, a mulher continua na frente do homem. Ainda possue uma beleza, um encanto e uma inteligência que a deixa, nas palavras do autor, numa "civilização superior" - em que os homens pouco podem contra o enigma feminino. Ela, entretanto, tenta se igualar (discretamente) ao homem - mas não é bem recebida quando assim procede. Ela se esforça mas não consegue mudar a brutalidade masculina.

Obs.: percebam que a ausência da indicação de resposta pessoal obriga um discurso baseado no texto.

* 08) Para cada qualidade feminina, é apontado um defeito ou mesmo uma perjoração da igualdade. O homem é o rascunho; a mulher, perfeição. O homem é doente; a mulher, cuidadosa. Ela é vaidosa e fora do comum enquanto ele é selvagem e rotineiro-mundano. Ela é sempre idealizada; já o homem aparece como uma "mulher ruim", um ser em busca da perfeição do sexo oposto.

Obs
.: imaginem, aqui, uma tabela que opõe a qualidade feminina à imperfeição masculina.

* 09) A resposta correta é letra c. Note que, segundo a teoria do autor, o fim do homem é igual ao início: permanecer sozinho enquanto a mulher volta ao planeta natal. Há uma comparação entre origem e fim. A letra e está incorreta pois o texto não se limita à informação. Em nenhum momento há repetição desnecessária de idéias, o que torna a alternativa d também errada. A a e a b estão incorporadas na alternativa c.

Testes:

* 01) A somatória correta é 18 (02, 16). Segundo o enunciado, todos os brasileiros acreditam na possibilidade de um governo sério e, então, todos exigem medidas imediatas contra os políticos corruptos. As outras alternativas dizem justamente o contrário - 01, 04, 08 e 32 afirmam que apenas uma parte acredita no governo sério e exige mudança.

Reparem que a colocação entre vírgulas da oração "que acreditam na possibilidade de um governo sério" remonta à classificação de orações. No caso, trata-se de uma oração subordinada adjetiva explicativa. Adjetiva porque começa no pronome relativo que e porque caracteriza a oração principal ("Os brasileiros exigem medidas imediatas contra os políticos corruptos"); subordinada porque não existe por si só, depende da oração principal; explicativa porque, além de estar entre vírgulas, presta uma informação referente ao sujeito da oração principal ("os brasileiros").

* 02) A soma correta é 03 (01 e 02). A 04 está errada pois traz problemas gramaticais (passado no lugar de futuro em "tenha sido inútil"; concordâncias nominal e verbal em "o jogadores... tiver mais"). A 08 e a 16 mudam o sentido da frase original. A 32 ignora as regras de pontuação e também a semântica primária.

* 03) O ímplicito do texto é: com uma máquina de tripla função (televisão, telefone e computador), o ser-humano terá várias opções para substituir um programa inútil por uma atração de preenchimento cultural - seja em site, seja em ligações por videoconferência. Ou seja: continuará "burro" apenas quem quiser. Assim, apenas as alternativas 01 e 02 (03) completam o texto coerentemente. As demais contradizem o texto ("Pois nenhum cidadão tem o direito..."; "...não haverá..."; "...pois um computador selecionará o que é melhor para se ver": afirmações incoerentes ao texto).

* 04) Resposta correta: letra a. Na b e na c, os problemas são com o verbo haver: esse, quando significa "existir", não varia para o plural e, também, não permite que o verbo auxiliar varie. Portanto, "deve haver explicações" e "havia vários...". Na d, ocorre erro de regência verbal: o pronome oblíquo tônico lhe se usa com verbo transitivo indireto e "amar" é verbo transitivo direto; o correto seria a utilização do pronome oblíquo átono a ou o. Por último (e), "fazer" quando indica tempo transcorrido deve, sempre, ser grafado no singular: "Faz já vinte minutos...".

* 05) Em "Eu vi ele..." ocorre um erro de colocação pronominal ("ver" é verbo transitivo direto e exige como complemento um pronome oblíquo átono. Como o objeto visto é masculino, a forma correta é o - colocado antes da conjugação verbal vi.) definido por a) solecismo.

sexta-feira, 27 de abril de 2007

Resolução dos Exercícios e dos Testes da Aula 01 - Extensivo.

Exercícios:

Obs.: Para a resolução das quatro questões desse módulo, é indispensável uma leitura atenta dos textos "A Força da Galera" e "Geração Perdida". Naquele, a ISTO-É nos apresenta uma comparação entre o movimento estudantil dos anos 60, 70 e a "galera", grupo de estudantes de todo o país que saiu às ruas pedindo o impedimento do mandato do então presidente Fernando Collor de Melo (anos 90). Mesmo com um objetivo semelhante (protestar contra a situação política), os dois grupos possuem diferenças quanto à postura que assumem - a saber: aceitação ou não de partidos políticos, alegria e ódio, a falta de repreensão pesada.

Já na canção da cantora Daniela Mercury, as metáforas criadas giram em torno justamente daquela geração perdida, daquele grupo de intelectuais que pregavam a liberdade, que tentavam encher a sociedade de cultura. Ressalta a importância dos conflitos, a tentativa dos estudantes para mudar a situação mesmo quando pareciam seres abandonados em meio a tanto sangue. Porém, tudo isso passou... Passou.

Depois de interpretar os textos (e percebam que minha leitura para ambos foi super sintética), podemos concluir que:

* 1 - a resposta certa para esse exercício é a letra d. Os versos transpostos nessa alternativa (d) são, justamente, os que tratam de uma geração que "adormeceu" com o tempo mas que instantaneamente demonstra que os ideias de luta não morrem - pelo contrário - ainda doem no corpo e na mente. Nenhuma outra alternativa traduz esse ressurgimento.

* 2 - "A geração do nada / Que ressuscitou sem morrer" é uma metáfora para o movimento tido como sem ideais que voltou à ativa nos anos 90 por uma finalidade próxima à dos estudantes do passado: protestar contra a situação política. Então, a alternativa que responde corretamente a essa pergunta é a letra b.

* 3 - Resposta correta: c. Os versos (do texto 2) em evidência mostram que atitudes consideradas, no passado, inadmissíveis perderam esse caráter de ilegais e foram incorporadas à sociedade; talvez, cederam lugar para outras formas de protesto. O livre pensador não vai mais pra cadeia e as drogas não são mais sinais de revolta ou clandestinidade.

* 4 - A alternativa d é a correta. Nessa, o recurso estilístico encontrado é o pleonasmo poético (e as palavras estão todas no sentido denotativo). Em todas as outras há a metáfora (em a, "seu choro" está no sentido figurado; em b, a metáfora é "ressuscitou sem morrer"; c: "leite vermelho" é a metáfora; toda a frase da e está no sentido figurado).

Testes:

* 1 - A soma correta é 57 (01, 08, 16 e 32). A opção 02 está errada porque o narrador não questiona as lembranças que possue, mas sim a própria narrativa; a 04 contradiz a 08 (e esta está correta), pois as lembranças são incompletas e poucas.

* 2 - A soma correta é 54 (02, 04, 16, 32). A alternativa 01 está errada porque o próprio narrador deixa claro que não sente saudade: "Saudade? Não, não é isto:...". Grilos não costumam cantar na hora do almoço e, também, luzes apagadas não causam escuridão ao meio-dia: esses dados tornam a alternativa 08 errada.

Obs.: a leitura integral da obra era indispensável para a resolução desses testes.

* 3 - Aparentemente, todas as alternativas do exercício estão corretas. Contudo, repare que a única completa é a b, pois ela trata das duas questões expostas no texto: a má concentração política-econômica e a indisposição da elite por mudar essa situação (por comodismo e por falta de condições). As outras alternativas retratam apenas um desses espíritos ou tocam superficialmente na interpretação, como é o caso da c.

* 4 - A alternativa correta é a letra b. Segundo o texto, o Brasil não possui expressão econômica mundial - semântica que anula a a e a d. A c está errada porque sequer se toca, no texto, em pressão internacional. E a e peca porque traz os empresários como salvação da economia (e o texto prega o contrário).

* 5 - Alternativa correta: e. As demais propõem, erroneamente, que as elites são a fonte de mudança da situação econômica. No texto, está implícita a idéia de que todos os segmentos da sociedade devem participar da mudança - a força da população.

domingo, 22 de abril de 2007

A força das palavras.

* força do silêncio
(Humberto Gessinger e Duca Leindecker)

Pra que tanta inteligência?
Pra que tanta emoção?
Qualquer coisa em excesso faz sucesso meu irmão
Tanta gente com certeza
Quanta gente sem noção
Em excesso até o fracasso faz sucesso por aí
E eu tenho fé na força do silêncio

Se as cores vão berrando no sol ensurdecedor
Fecho os olhos… Outro mundo
Vou morar no interior
Transbordou a mesa ao lado
Um tsunami arrasador
Fecho os olhos… Outro mundo
Vou morar no interior
E eu tenho fé na força do silêncio

A fé que me faz
Aceitar o tempo
Muito além dos jornais
E assim mergulhar no escuro
Pular o muro
Pra onda passar

Vi um punk na farmácia atrás de protetor solar
Baile funk no plenário
Ambulância quer passar
Futebol, mesa-redonda, exorcista, camelô
A onda agora é outra onda
Um tsunami arrasador
E eu tenho fé na força do silêncio

(Áudio:
http://rapidshare.com/files/22030312/Humberto_Gessinger_e_Duca_Leindecker_-_A_For_a_do_Sil_ncio.mp3.htmlhttp://rapidshare.com/files/22030312/Humberto_Gessinger_e_Duca_Leindecker_-_A_For_a_do_Sil_ncio.mp3.html)

Dae cambada! Para os mais formais, Olá - queridos e queridas!

O espaço para: matar dúvidas; rever aquele exercício de tempos remotos; quiçá, promoção e debate. O blog em que impera a força do aprendizado, das palavras surdas, do silêncio.

Vale a pena ter grande alma para que tudo tenha valor. A onda que carrega a massa de iguais, que oferta o assistencialismo (barato), que discrimina palhaços no circo da vida, que estende (e também a que procura) o remédio errado - essa onda aqui não tem espaço.

Sem interesse nas contradições insustentadas, nos surfistas da onda-povo, na tsunami da crueldade e da semente ignorante, inculta, incapaz. Todos esses elementos só indicam o que deve ser atacado. E como soa ridículo que no país da diplomacia ninguém dê ouvidos às palavras de poucos e sábios pensadores. Ao fim, a história termina com o vilão Todos.

Bem-vindos ao mundo do silêncio. A quietude programada. À transmutação da teoria política de Gandhi. À tentativa de ajudar. (Participem!)