segunda-feira, 11 de julho de 2011

Um vírus ainda não catalogado

Mais aniquilador que ebola ou Aids é este vírus chamado... jeitinho brasileiro. Ele - há mais de quinhentos anos - vem contaminando milhares de pessoas, as quais, inexplicavelmente, procuram (super)desenvolvê-lo. Ao fim de análises, conclui-se que essa praga ataca diretamente o caráter da nação tupiniquim, gerando diagnósticos alarmantes.

A classe social dos infectados não interfere no avanço fuminante do jeitinho brasileiro. Observa-se que tanto o pobre quanto o rico apresentam os sintomas básicos da virose: corruptibilidade fácil, desgosto por conduta igualitária (ausência de zelo pelo próximo) e incapacidade de admitir ou consertar erros. Caso se arrisque, por exemplo, uma sorologia social, outra reação (nada adversa) se manifesta em palavras esparsas como "Isso num é da sua conta" ou "O importante é que EU tô numa boa".

No sistema educacional, o vírus ataca com sua pior mutação. Mentiras governamentais - ancoradas em comerciais televisivos - tentam esconder o estado terminal em que os pacientes se encontram. Trata-se de professores sem engajamento geral; alunos que desconhecem o vocábulo dedicação; pais relapsos com a educação dos filhos. Essas sequelas do jeitinho brasileiro aparentam não ter cura em meio a enfermos que mal conseguem planejar a própria vida.

A descrição dos efeitos que a virose provoca no trânsito também aterrorizam. Alucinações são percebidas em quem, por exemplo, estaciona na vaga de idoso mas nem sequer chegou aos trinta anos! Após serem alertados do problema, no entanto, os achacados (ah, jeitinho brasileiro...) costumam balbuciar locuções sem sentido, como "É só um minutinho". Há, ainda, doentes agressivos no momento da instabilidade mental - famosa contrarreação.

Outro sintoma perigoso que o jeitinho brasileiro exibe é o jogar a culpa para o próximo, que estava correto. Nesse caso, o contaminado reclama, por exemplo, do colega de trabalho que cumpre rigorosamente os horários da empresa. Em alguns casos, o doente justifica o fato de não pagar dívidas porque "Ninguém paga mesmo!" (perturbação mental clara). Ah!, o paciente que durante meses lê notícias acerca de políticos corruptos, mas continua votando neles, também demonstra sofrer do vírus verde-amarelo.

Comprovadamente, pois, o jeitinho brasileiro caracteriza-se como epidemia. A história do Brasil apresenta descrições claras da origem e do modo de propagação desse mal, mas, infelizmente, nem de longe indica uma solução para seu controle. Obviamente, nem todo brasileiro está contaminado; só que uma reversão, diante de quadro clínico tão instável, parece não mais ter possibilidades - ou, quem sabe, não faz mais sentido.

2 comentários:

Tiago Pereira disse...

Descrição perfeita do que se passa por aqui, pena que vivemos nessa caverna e achamos tudo "normal".

Burner disse...

Sad, but true.
O pior é que aí no meio tem o comodismo também. Brasileiro provavelmente se acostumaria com o fim do mundo e não faria nada pra tentar mudar.